momento de viagem

sensações, emoções e imagens por aí!

Sair da cidade

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Já escrevi imenso sobre estas diferenças, desculpem-me a maçada, não me leiam se cansados estão deste tema cidade/campo.

O título não refere campo porém, porque na verdade não estacionei no campo. Aqui é praia com a sensação de cidade pequena. Precisei de uns três ou quatro dias para me aperceber que não estava em Lisboa. Ou para ser mais rigorosa, esses dias serviram mais para me sentir fora de Lisboa. São sempre necessários uns dias para me adaptar à dinâmica de cada lugar. É a mesmíssima coisa que quando viajamos para um lugar desconhecido: no primeiro dia somos meras visitas estranhas; nos segundo e terceiro vamos explorar a zona; ao quarto dia já estamos na posição de quem lá vive, observando os novos visitantes chegar!

Aqui é onde cresci. Lembro-me que tinha tempo para desesperar de não haver nada para fazer. Íamos ao pinhal apanhar framboesas para fazermos bolo de framboesa, apanhávamos maracujás no nosso pequeno pomar e fazíamos um lanche com eles; no restaurante dos meus pais lembrava-me de fazer limonada com os limões do nosso quintal, oferecia a limonada bem fresquinha aos funcionários; caminhávamos quarenta e cinco minutos para ir à praia ou pegávamos nas bicicletas e descíamos, sempre com a pequena angústia do sofrimento da subida no regresso a casa; íamos à Quinta do Engenho Novo de bicicleta, parávamos num canto à sombra dos eucaliptos, comíamos bolachas secas e falávamos de boca cheia; bebíamos água enquanto se ouviam os pássaros cantar e voar.

Aqui também me apercebo que é muito fácil encontrar pessoas vestidas de forma muito simples, sem bom gosto até. Não há preocupação em estar apresentável, qualquer farrapo serve. Vestem-se bem quando vão a casamentos, comunhões, jantares de família… Não vêem a Fashion TV com certeza, eu também não a tenho visto mas o facto de me movimentar por cidades grandes dá-me o privilégio de ver desfiles improváveis com modas que me inspiram. Mas isso não basta, não basta não! É preciso ter vontade, é preciso querer, é preciso estar atento a nós e ao que se passa à nossa volta; é preciso curiosidade, muita mesmo. É preciso ter esperança, esperança que os dias não são só dias, que esses dias nos levam a momentos prazerosos, recheados de novas experiências e novas sensações. Se tivermos essa esperança teremos bem mais vontade de evoluir, tanto de aspecto quanto de alma. Penso que este é um assunto a meditar, principalmente para quem vive em lugares mais pequenos.

Já na cidade, numa cidade grande, tem dias que mais nos valia fechar os olhos para não vermos tanta informação ao mesmo tempo. Ficamos confusos com anúncios e painéis que indirectamente nos manipulam, e que ainda por cima mudam todas as semanas ou todos os dias!

Na cidade as distâncias distanciam-nos. O trânsito atrasa-nos, limita-nos os dias certamente. Mas na cidade há oferta, só não faz nada quem realmente não quer ou então porque se obriga a parar , já que o movimento cansa e os dias inertes merecem tanta importância apesar de se julgarem insignificantes. Na cidade não há tempo para observar os desconhecidos, estar com os nossos é limitado e então tudo tem que ser concentrado e intenso, sem outras distracções. Insisto em sublinhar que a informação e as oportunidades em massa nos tornam confusos, mais indecisos talvez.

Será isto tudo verdade? Por vezes, quando termino a escrita fico com a sensação que tudo o que digo pode ser falso. Mas é o que imagino, o que sinto, o que me parece no momento da escrita. E nós mudamos, somos realmente influenciados pelas vivências e experiências, é o mesmo ser em constante mutação!

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Calçadão de Copacabana

Rio de Janeiro, 7.25h

Rio de Janeiro, 7.25h

Copacabana Palace, Rio de Janeiro

Copacabana Palace, Rio de Janeiro

Museu da Imagem e do Som, em obras

Museu da Imagem e do Som, em obras

Pedra do Leme, Rio de Janeiro

Pedra do Leme, Rio de Janeiro

praia de Copacabana

praia de Copacabana

São 12h em Portugal, 8h no Rio de Janeiro. Saio à rua, o sol já se levantou às 6.35h, mas o amanhecer ainda se sente! É isso mesmo o que quero sentir, o amanhecer! Há nuvens, o que me ajuda a aguentar mais a corrida. Levo a máquina fotográfica presa nos calções. Vou conseguir fotografar qualquer coisa para enriquecer o meu blog.

Sei que não é bem turismo, é mais um aliar o útil ao agradável! Lembro-me que há uns tempos vi num filme um grupo de pessoas que, ao amanhecer iam fazer o seu treino de jogging enquanto tiravam fotos. O que é certo é que desde então eu gostei dessa ideia e já não é a primeira vez que a adopto. O tempo também não é muito, daí não ter ido muito longe…

Corri na marginal de Copacabana. No regresso vim pela areia, mesmo ao lado do mar. Cheirava-me a maresia brasileira. Senti-me bem mais livre ao lado do mar do que correndo no calçadão! Fotografei a Pedra do Leme, onde o Posto 1 inicia os quilómetros de praias que terminam para lá de São Conrado. Diz-se que a Praia de Copacabana é a Princesinha do Mar. Em tempos foi muito célebre e muito bem frequentada, tal como o Copacabana Palace (http://www.belmond.com/copacabana-palace-rio-de-janeiro/) que fica mesmo em frente à praia. Vai do Posto 1 ao 6, o chão do calçadão é marcado com calçada portuguesa, há ciclovia, bares, restaurantes, muito espaço no areal para praticar desportos como vólei ou futebol!

E ainda é nesta marginal que também se constrói a nova sede do Museu da Imagem e do Som (MIS). Vai abrir em 2016, segundo o site do museu. Quero ir visitá-lo, pelo seu acervo que me interessa muito, já que inclui som; e pela arquitectura descontrstrutiva fantástica, do escritório Diller Scofidio + Renfro, americano. Aqui está o site do Museu:

Museu da Imagem e do Som


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A arte humana

caranguejo morto!

caranguejo morto!

Vi peixes e caranguejos. Hoje vi peixes a serem pescados, saltavam todos que nem loucos, presos pelas garras do homem! Saltavam por pouco tempo, vi a morte de alguns. Outros morrerão mais tarde, mas de nada lhes adiantou abrir a boca pedindo água. De nada lhes adianta suplicar para viverem, eles vão todos morrer!

Depois… Ah que bom, que alívio… Vi um baterista tocando com sons de conchas. Lembrei-me das conchas que vi na areia, que algumas eram carapaças de caranguejos mortos. Lembrei-me de um quadro que fiz: um conjunto de conchas que apanhei na praia! São restos de gente morta!!!

Ah credo! Andamos nós a matá-los ou eles é que têm morrido naturalmente? Espero que lentamente…

E que nós humanos tentemos sempre  aproveitar essas mortes para fazer arte, visual ou musical… O que nos der na gana. Já o outro decora paredes abandonadas.

E o piano… Ah, haja arte boa… Haja arte, haja artistas, haja alma! O que seríamos de nós humanos sem arte? Lixo…


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Dunas de moto 4

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casa em S. Jacinto

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vinho Castello D’Alba

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restaurante A Peixaria, S. Jacinto

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pôr-do-sol na Torreira

Ir à Torreira significa um almoço de peixe na Peixaria de S. Jacinto e uma passagem de mota ou de jeep pelas dunas, até que se aviste o mar!

E sabia que ia ser um óptimo dia! Mas não sabia que ia finalmente montar uma! Uhhhh, que conversa vem a ser esta? É que… Ser pendura tem muito encanto, mas segurar o guiador tem vários outros!

É libertador. E pronto… O resto são dunas, areias, arbustos, mar, ar fresco, o silêncio silenciado pela mota, medo de não conseguir subir e a vitória depois de descer!

Não, não há fotos desse lindo episódio. Pois quem as tira sou eu e tinha as mãos ocupadas: uma na embraiagem e outra no acelerador. Os pés… Um engatava-as e o outro seguia viagem.

Obrigada aos dois experientes, obrigada à anfitriã e obrigada a tudo o resto. O vinho verde e o peixe estavam óptimos e o sol sempre brilhou!


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Um minuto – Comboio e Praia


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Sol, Peixe e Mar

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Robalo grelhado

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Praia, Costa da Caparica – de Mariana Almeida

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Praia, Costa da Caparica – de Mariana Almeida

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Praia, Costa da Caparica – de Mariana Almeida

Não resisto em escrever sobre este dia de Primavera, ainda antes do seu primeiro dia oficial! E não os mostrarei aqui, mas tenho andado a cruzar-me com vários passarinhos por aí, cantando, voando, brincando, passeando e namorado. Aliás, até já vi um grupo de passarinhos discutindo em terra! Mas esse não é o meu propósito agora, apenas quis referir mais um sinal primaveril, para além dos que cito aqui.

Falo do sol que hoje brilhava com mais intensidade. Falo do peixe grelhado que comi em óptima companhia, próximo de Lisboa. Falo da praia aclamando o fim do Inverno. Ah sim, o mar fazia ainda algum barulho, admito. Mas graças a esse barulho que não me despi! Não fosse acreditar mesmo que já era Primavera!

Hoje senti várias sensações agradáveis à custa deste sol e de tudo o que ele me deu vontade de fazer e que fiz efectivamente. Talvez não vá conseguir descrevê-las todas aqui, seria difícil. Mas o essencial está aqui: senti-me em casa e senti-me mais nova.

Revivi o cheiro a maresia, apanhei conchas na areia porque, como disse a minha querida companhia – tive uma epifania e vou fazer uma obra de arte com as conchas, calquei areia com a minha pele, comi peixe grelhado, comi ameijoas, apanhei sol com roupa vestida, comi morangos com chantilly, gelado Haagen-Dazs, oh Deus!… Desculpem a emoção… É que ainda há mais: cozinhei enquanto tentava identificar acordes e intervalos musicais e a minha amiga marcou para sempre o meu novo banco do piano! Vi um cão beber água da torneira que, em dias normais, me lavaria os pés pós praia! E claro, aparvalhei depois de o sol se pôr, já que a lua cheia nos podia acompanhar. Como pude eu viver um dia destes longe da minha infância e da minha casa?

É claro, resta-me agradecer à vida, à Natureza e à minha companhia do dia, que ainda me deu a sorte de ser fotografada! Uma viagem à infância em “casa”!


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O sol de Recife

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Estou de férias na Escola e meti-me na promessa de ler um livro enquanto o tempo parece ser mais livre do que antes.
Miguel de Sousa Tavares foi o escolhido. Estou a adorar ler sobre os vários lugares que ele visitou, e perceber que não sou a única a gostar de escrever os meus pensamentos e as minhas experiências. Transcrevo aqui uma das milhentas frases que me cativaram. Aliás, vai precisamente ao encontro de uma conversa que tive no pequeno almoço deste meu destino, Recife:

“Escrever não é falar. (…) É exactamente o oposto. Escrever é usar as palavras que se guardaram: se tu falares demais, já não escreves porque não te resta nada para dizer.”

Esta afirmação é muito importante para alguém como eu, já que, quem bem me conhece, sabe que eu antes falava mais do que hoje. A verdade é que antes não escrevia tanto. Falava pelos cotovelos e contava tudo a todos, talvez até fosse chata, e ocupava mais tempo a falar do que a meditar. O que escrevia também não era tão digno de ser exposto, apesar de me sentir bem escrevendo-o.

Hoje penso mais antes de falar e continuo a sentir-me mais capaz de falar por escrito do que oralmente, no que toca a emoções e sentimentos principalmente. Isso não é uma vantagem de todo, mas é uma característica minha, há que tentar trabalhá-la e, já agora, aproveitar a escrita!

E posto isto, finalmente dediquei um dia para apanhar sol no Recife, Brasil. É triste, eu sei. Não saí do hotel. Mas por outro lado, consegui o que queria: aquecer bem o meu corpo com o sol. Senti algumas gotas de suor escorrerem pela minha pele, a minha cor a alourar, os pés quentes e os lábios secando. Protegi-me bem, e por isso trago poucas marcas desse tórrido dia no Recife. Mas que bem me soube, foi tão doce e quente!

E são poucas as marcas, mas marco o dia com três imagens marcantes: a cor da minha pele (parace básico, mas não é de todo); o meu gosto por fotografia, a tentativa de fazer algo diferente, de olhar através de outro ponto de vista; e a sombra, a sombra que nos ensombra de quando em vez nas nossas vidas, e que parece assombrar as praias de Recife todos os dias!