momento de viagem

sensações, emoções e imagens por aí!


Deixe um comentário

Mercado de Fortaleza vs. A sesta

Vou-me desafiar a escrever o contraste entre um momento de 24 horas e outro de apenas uns segundos!

 

IMG_9233

mercado central Fortaleza

Foi um dia até bem passado em Fortaleza. Comecei-o às 6h de despertador, olhando a janela, tentando perceber o quão quente já estaria. Verdade que não conseguiria senti-lo mas a minha vontade seria aquele calor abrasador que me impedisse de saltar da cama e calçar as sapatilhas (os ténis!!). Lá fui a muito custo. Claro está que daí resultou uma boa corrida que me queimou aí uns três quilitos (Ah… ah… ah…).

No final do pequeno almoço combinou-se uma pequena excursão ao Mercado Central de Fortaleza. E eu, sempre curiosa mas sem vontade de ir às compras, aproveitei a companhia para me permitir abrir os horizontes sobre Fortaleza. E ver se seria capaz de tirar umas fotos ainda, sem assaltos!

 

IMG_9240

mercado central Fortaleza

Gosto de observar as pessoas e lugares em silêncio, imaginando-me uma nativa. E, definitivamente não queria ser dali. O que seria de mim vivendo tantos anos, tantos dias, sempre com as mesmas coisas, os mesmos espaços, tudo sem evolução, sem acompanhar o mundo lá fora que já não vende toalhas de mesa repletas de rendas?

Pois bem, mas o deleite de beber água de coco fresca no Brasil é realmente um júbilo.

 

IMG_9230

arte urbana em Fortaleza

IMG_9236

mercado central Fortaleza

E agora pergunto-me: porque sofro tanto, mas tanto, quando me acordam do turno de descanso no avião? Há umas semanas juro que acordei com a certeza que me daria melhor na agricultura, já que lá não se dorme sestas na madrugada: acorda-se e pronto!

E é neste momento crucial da minha vida na aviação que me debruço agora. Estou em vôo, vamos servir o segundo serviço de refeição daqui a pouco, e só eu e Deus sabemos o quanto sofri quando me despertaram da sesta há pouco. Os sonhos eram cor-de-rosa e cheios de fogo-de-artifício tal como a maioria deles aqui nos aviões. Mas não… Não pude continuar lá no meu mundinho paradisíaco. Tenho pouquíssimos minutos para me recompor deste sonho desfeito, subir os degraus, abrir a porta e deparar-me com 244 pessoas que me esperam disponível e sorridente quando só me apetece fechar os olhos, mesmo que em pé! Quero lá saber, só quero continuar lá no meu sono, no meu sonho!

Há momentos que duram segundos ou minutos no máximo, que nos matam por dentro! Estou com alguma dificuldade em descrever em palavras o que senti ao acordar da sesta de tão horrível que foi. Ou talvez porque ainda esteja com o cérebro meio parado do choque e do cansaço!

IMG_9248

rua em Fortaleza

E mais hilariante que isto é que, daqui a uns dias parece que esqueci o sofrimento e lá vou eu toda sorridente voar de noite novamente! Aliás, voar de noite é mau, mas acordar da sesta à noite é o supra-sumo do sofrimento! Hoje termino assim mesmo, até que o sono seja reposto logo durante o dia!


Deixe um comentário

Uma descolagem

  

Avião no amanhecer

 
 Estamos em terra. Há trânsito hoje! A fila vai avançando aos poucos, parece uma autêntica estrada terrestre, mas aqui cada veículo transporta mais de cem indivíduos. Há o silêncio ou algo próximo dele. 

E porque quem espera sempre alcança, chega o momento da descolagem! Em três, dois, um, partida!!! 

Os motores ensurdecem-nos com potência máxima. Em poucos segundos a velocidade passa de zero a pelo menos 200 km/ hora. Olhamos lá fora: já o aeroporto se vê longe e as imagens passam cada vez mais rápido, mais desfocadas e riscadas. E eis que a parte da frente se inclina para cima e a cauda para baixo. O avião é uma perfeita obra humana, uma imitação de pássaros espectacular. Só mesmo visto e sentido. 

Tiramos os pés do chão e agora, como quem descola pela primeira vez na sua vida, espreitamos a pequenina janela do avião: as casas tornam-se casinhas, oh que saudade me está a bater no coração, a saudade de brincar aos Legos… A paisagem lembra-me tanto os Legos, isto era tão sério e de repente, visto cá de cima parecem casinhas, bonecos, carrosséis, carros de brincar, ambulâncias coloridas…! 

E por fim, a descolagem passou. Vemos nuvens, o sol, as casinhas pequenas e, o mais importante, os sonhos… 


Deixe um comentário

Amamentar em vôo

Ainda não sou mãe.
E hoje faço uma pequena reflexão sobre as mães viajantes. Aliás, as mães que viajam com bebés pequeninos. E levanto a questão: amamentar o filho num avião deve ser algo natural e feito às claras ou pelo contrário, com alguma descrição e pudor? Quem já viu mães amamentar em público é capaz de estar a perceber do que falo… É que há mamas e mamas…
Há a mãe natural e há a mãe que não se apercebe que está a mostrar algo ao mundo que normalmente é visto como um símbolo sexual e até proibido em países como o Brasil, por exemplo. Corrijam-me se estou enganada.
Há umas semanas li sobre uma fotografia polémica com mães nuas amamentando os filhos, publicada no facebook de uma fotógrafa. O facebook baniu a imagem. Aquilo era arte ou era alguma provocação sexual? A meu ver era arte. A meu ver, a coisa levada de forma natural e romântica fica muito mais gira… Na realidade é mesmo a Natureza,a nossa mente é que não é tão natural assim!
No entanto, há que reparar que não é preciso andarmos com a mama na mão quando nos vêm servir o jantar, mesmo depois do bebé já ter mamado. Há que ter classe, há que fazer as coisas bom amor e carinho e… Bom senso!
Uma mãe que me leia neste post pode talvez achar que estou a delirar por algum motivo (por acaso devia era estar a dormir a esta hora!), ou que até acha horrível dar de mamar num avião, quando todos à sua volta estão acordados e próximos.
Eu, como não mãe que sou, tenho esta ideia. E por mim, o topless devia ser tratado de forma bem mais natural também. A Natureza é linda e tenho dito!


2 comentários

Maricleta e os 7 – dia 7

Supostamente o novo dia começa à meia-noite e as pessoas começam-no lá para as 7 horas. O meu sétimo dia desta saga Maricleta e os 7 começou quando descolei de Belém, ainda antes da meia-noite. Sentia-se já o dia da chegada, o dia da volta ao tempo frio e à minha linda casa.
Não fiquei nostálgica, como se estivesse no término das minhas férias, como se fosse voltar à irritante rotina do trabalho. Foi um pouco o contrário.
Já não tenho paciência para falar deste tipo de vivências, gosto mais de ouvir sobre as vidas dos outros, ou falar de mundos imaginários, de fantasias, de sonhos. Mas hoje vou só dizer isto: desengane-se quem acha que eu fui de férias. As minhas férias começam quando aterro no meu país. É bom, é muito bom regressar a casa.
Deito-me na minha fria cama às 8.30h da manhã. O sono é tanto mas a mente demora a acalmar! São tantas ideias, tantas coisas que quero fazer em casa e no meu norte, que me demoro a desligar a tomada.
Mas acontece. É a minha noite quando todos acordam. E depois ficarei apreciando o que é meu e do meu mundo, entre quatro paredes. É bom, é bom regressar a casa, principalmente com a alma um pouco mais quente e rica. Sinto-o!


Deixe um comentário

O cunhado entre São Paulo e Porto

Ontem fiz alguma pesquisa sobre escrita de viagens. Li que o escritor de viagens se sujeita a escrever em qualquer parte do mundo, em qualquer condição, e que é isso que lhe dá a inspiração e o sustento para viver dessa escrita! Eu vivo das viagens e não da escrita delas, mas interessa-me explorá-la. Quem sabe um dia me dê algo saboroso!

Mas o que queria mesmo dizer hoje é que o meu cunhado está aqui no meu avião hoje. Eu vou agora dormir a sesta a que tenho direito durante este vôo, devem ser umas 2h da manhã, estou na horizontal, num contentor transformado em quarto partilhado!

Ao acordar vou despertar o meu cunhado para conversarmos sobre coisas da vida. Falar de assuntos pessoais ou não pessoais, tudo dependerá da hora e dos pensamentos que nos visitarão durante a sesta! É tão bom ter família no meu avião… Não consigo explicar esta sensação em que parece que estou em casa, estando em vez disso aqui por cima do Atlântico em trabalho! Obrigada vida, por estas viagens mais familiares. Devia ser assim todos os dias… O quanto eu desejava ter isto sempre!

É bem mais duro voarmos sós… Sim, porque com tantas almas conhecidas ou não, dentro de um aparelho fantástico que voa, só a família e os amigos próximos nos dão esta sensação de querer tirar os sapatos de salto, falar com calão, mandar piadas sem sentido, que só nós sabemos que as dizemos para descontrair a alma! Um bem haja a esta viagem sem imprevistos, com o meu querido cunhado!


Deixe um comentário

O que é a turbulência?

Alguns viajantes dos aviões dizem que têm medo da turbulência, aliás, que têm medo de voar.
Eu sou viajante do ar e não tenho medo. Podem responder-me: “Ah, que corajosa que tu és!”
Não, há medos se criam ao longo das nossas experiências, outros nascem connosco por estupidez. E o meu medo de voar nunca nasceu nem se criou.
Lembro-me duma das minhas primeiras viagens de avião, em que a turbulência se fez sentir, e eu fiquei relaxadíssima, dizendo que seria um embalo para dormirmos a sesta!
Vai daí, que acabo de sentir mais uma vez alguns eternos minutos de turbulência aqui por cima da Europa, e como devem imaginar, se me inspirou para um post há-de ter sido uma turbulência animada! Mas que animação, parecia que tinha ido dar uma corrida modo sprint de meia hora: fiquei com muito calor e o coração batia forte. A parte do desequilíbrio não era culpa minha , juro!
Definindo agora turbulência… As asas do avião abanam lá fora, os vinhos tintos saltam dos copos, as bandejas deslizam pelas mesas, e nós… Nós perdemos o controlo do nosso corpo, deixamos de ser racionais e passamos a ser uns bonequinhos animados por contágio!
Agora termino as descrição com uma mensagem aos meus amigos que viajam pouco, de férias: a turbulência é uma senhora… E depois de tudo passar e de voltarmos a ver o sol brilhar lá fora mais pertinho de nós, a turbulência não passou de uma linda brincadeira entre as nuvens e o sol: as nuvens seguravam no avião e o sol saltava ora acima ora abaixo dele, como se saltasse à corda! Só isso… Simples… Respirem agora, os nervos fazem parte de certos momentos arriscados! Quem vos manda viajar???


Deixe um comentário

Esperar sozinho

Hoje, mais uma vez esperei sozinha. Penso que se passaram umas 2 ou 3 horas de espera. Mas… Como pode ter começado com tanta irritação e no fim estava eu calma e serena, como se esse tempo não me bastasse para gozar a espera???
Dizia eu por telefone: “já conheço este aeroporto da frente para trás e de trás para a frente”!!
Mas quando escolhemos esperar, enchemos o peito de oxigénio e partimos para a aventura: a aventura de ser viajante que vê o seu vôo atrasar!
Em primeiro lugar damos uma vista de olhos às lojas do lado “terra”.
Seguimos para o raio-x…
Depois experimentamos os perfumes do último grito: um no pulso esquerdo, outro no direito, um no braço esquerdo, outro no direito (sei que há uns cartõezinhos para testar, mas sentir estes aromas novos na pele faz parte da viagem)… Quando a pele à vista se esgota seguimos para os óculos de sol. A música ambiente do duty free e os passos de quem não pára de circular para as portas de embarque dão o mote à diversão momento sunglasses.
De seguida vamos espreitar a pequena loja da Fnac, apreciar os títulos em destaque e folhear um ou outro guia turístico para ver se apanhamos alguma imagem que nos leve a um novo lugar do mundo.
Por fim, passamos muito rapidamente pela Victoria’s Secret, só para não matar a tradição, e avançamos para a restauração.
Querer ser saudável num dia de espera não é fácil, mas o esforço extra compensa: pão com queijo e meia de leite, com uma bandeja do Mac Donalds usada em cima da minha mesa. Eu não percebo a dificuldade que as pessoas têm de arrumar a bandeja que acabaram de usar nas prateleiras para esse fim, mas adiante…
Já perfumada, experimentada e alimentada, a hora do vôo aproxima-se e posso avançar para a porta de embarque!
E assim se espera sozinho… Ainda observei outros viajantes, sentados e encostados, outros falando… Recordei tempos em que viajei acompanhada: era tudo mais musical, pois a minha voz ouvia-se… E a dos que me acompanhavam também. Para onde fugiram esses tempos?
Quando nos saturamos da maçã queremos a laranja; quando a laranja cansa, a maçã já voltava! Mas o ideal é podermos alternar entre ambas as frutas. Comprem-me laranjas, por favor! Preciso variar!!!