momento de viagem

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Blog de viagem da Momondo

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Olá meus leitores!

Vota no Momento de Viagem

Como já devem saber não gosto de me publicitar e adoro a discrição e a serenidade! Uma amiga, a minha companheira de viagem ao Myanmar, incentivou-me a concorrer ao Bloggers Open World Awards 2018 da Momondo. Concorri. Depois, como inventaram estas novas selecções através dos votos de amigos, online, decidi partilhar o link para votarem em mim. Hoje em dia há tantos amigos que nos pedem votos, somos bombardeados por links, posts e publicações, e por aí fora… Dou por mim a perceber que conseguia passar dias e dias colada à internet, a ler textos de outrém, a votar em coisas, a assinar petições, ler notícias, a ver fotos dos amigos e conhecidos, a pesquisar coisas, enfim… Vocês sabem…. Ocupar o tempo ou desperdiçá-lo? Não sei, penso que ambos dependendo dos dias!

E portanto, devo pedir-vos, em primeiro lugar, que não se incomodem nem desperdicem tempo com o voto no meu blog! De resto, caso vos apeteça motivar-me a continuar a escrever umas coisas engraçadas e leves sobre viagens, vão votar! O coração do momento de viagem vai ficar mais colorido assim!

Muito obrigada desde já! Boas viagens!!!

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Sul de Lanzarote e Saramago

Hoje sinto-me um pouco adoentada, resultado do cansaço de ontem, mas estou tão bem… e aqui! Pois graças ao corpo cansado ando mais devagar. Pareço José Saramago quando falava e caminhava.

Fui visitar a casa onde José Saramago e Pilar del Rio viveram juntos durante 17 anos, até ao dia da sua morte (ou ida “para outro lugar”, como ele disse).

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casa José Saramago (pintura de César Manrique)

Mais do que uma casa é-nos oferecido um momento muito bonito: respira-se cultura e amor durante a visita. Para além do guia temos um áudio-guia também. Por sugestão do guia ouvi-o em espanhol, podem ter-me falhado algumas palavras mas o essencial estava lá e tem frases muito bonitas!

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casa José Saramago

As pedras eram muito admiradas por José Saramago, considerava-as o princípio da Terra. Adorava arte e por isso há muitas pinturas pela casa, tais como de Tàpies, Júlio Pomar, Idelfonso Aguilar (pintor importante em Lanzarote), César Manrique,… Retratos de escritores que o inspiravam: Fernando Pessoa, Camões, Kafka, Almeida Garrett, … Podemos também beber um café português Delta – quando tocavam na campainha de casa, Saramago tinha-a avariada, então tinha que ir ao pequeno portão abri-lo; convidava os visitantes a beber um café português.

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casa José Saramago

A biblioteca de José e Pilar é linda e recheada de livros. Aconselho vivamente que os portugueses visitem esta casa em Lanzarote!

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zona sul de Lanzarote

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parque nacional Timanfaya

Depois, rumo a Sul, almoço num dos únicos dois restaurantes de Fémes. Comi pimentos de padrón (adoro) e o prato típico de Lanzarote: cabrito. Oh Deus (ou Jesus segundo Saramago), não como carne desta há tanto tempo! Foi um esforço confesso, mas ao menos pareceu-me pelo paladar que o cabrito viveu feliz e em liberdade antes que eu o comesse.

Continuando a seguir para sul, encontro as Salinas, a Lagoa de Janubio e El Golfo. Vale a pena caminhar cinco minutos em El Golfo, para apreciar o fenómeno da Natureza: a  lagoa de Janubio.

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parque nacional Timanfaya

Por fim vou fazer a visita no Parque Nacional de Timanfaya. Quarenta minutos num autocarro com audio-guia, dando algumas noções de como se formou a ilha de Lanzarote, características e história dos vulcões que por ali pairam. Quanto fogo não se esconde por ali! E quanta calma se encontra nos vulcões também. Parecem tão sossegados, tão serenos, tão áridos e vazios de raiva. Será uma explosão sua significado de raiva? Ou simplesmente de força, de poder, de imponência…

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zona sul interior de Lanzarote

 

Sinto-me tão tranquila entre este fogo e este nada…


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Lanzarote a solo

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Lanzarote – flores, verde e castanho

Cada pessoa tem os seus sonhos a realizar, cada pessoa é responsável pela realização de muitos deles. E cada pessoa sabe, com o passar do tempo, quais se vão apagando, os que apenas adormecem e os que deixaram de ser sonhos porque passaram a realidade!

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Lanzarote – terra preta

Viajar a solo deixou de ser um sonho para mim. Pelo menos a estreia!!!

Fui a Lanzarote, nas Canárias. Fui ver Natureza, fui ver aquilo que parece o vazio e que afinal é o tudo: montes e montes de vulcões!

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Lanzarote – igreja

Quero partilhar-vos a vós mulheres que queiram viajar sozinhas, que tenham algures esse sonho, que eu adorei a experiência. O silêncio acompanhou-me por vários momentos, conversei comigo mesma, ri-me sozinha, tive medos (mas poucos), estive um pouco doente, comi o que quis, fiz o que quis, fotografei sempre que me apeteceu. Ouvi a música que quis, não me preocupei em agradar a mais ninguém que não a mim própria, enfim, gostei muito mesmo!

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Lanzarote – ervas secas, montes no fundo

Há algumas desvantagens mas não muitas… Penso que cada um tem os seus desafios a viver e este era sem dúvida um que eu precisava. Saí da minha zona de conforto. Para mim foi um acto de coragem. Mas só precisei dessa coragem até chegar ao aeroporto de Lisboa para embarcar no primeiro voo! A partir daí esqueci essa coragem, era dado adquirido e nem precisei dela.

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Lanzarote – cactos

Depois de sair da minha zona de conforto não houve outra solução que não fosse aproveitar a viagem e encarar as realidades que me encontravam. Dei-me muito bem.

Já sei sentar-me sozinha numa mesa de restaurante para comer! E observo mais, converso mais com quem me cruzo, estou mais atenta e ao mesmo tempo sei que não me vou irritar com quem poderia estar ao meu lado, eventualmente.

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Lanzarote – palmeiras em Haría

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Lanzarote – aldeias solitárias

É realmente uma nova sensação de liberdade – expressão tão cliché e tão forte para esta viagem a solo.

Se está na lista dos sonhos, sugiro que realizem este!

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Lanzarote – paredes brancas em cima de chão preto

 

 

 

 

 


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O turno de descanso

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fasten belt while you rest

Eu digo… Eu digo-vos qual o meu cenário imaginado antes de adormecer lá em cima, em cima das nuvens ou… do mar! Abaixo da Lua que hoje se enche de luz.

Era eu e ele, ou eu e tu!

Fomos estender-nos por cima das telhas de uma casa qualquer, algures no Alentejo ou também numa terra fria de céu transparente, bem lá no Norte. Embrulhámo-nos em mantas de barriga para cima. Olhos postos no céu, claro! E ali estavam elas, as estrelas que nos iluminam as noites. Brilhavam forte, eram como pequeninas pedras preciosas espalhadas no escuro.

Nós os dois ali no meio do quase nada, qual cidade qual quê! Eram as estrelas, o telhado, a Lua e nós. E depois adormeci como quem flutua pelo ar de tão leve e tão suave que se sente.

Há coisas tão simples e tão impossíveis de nos acontecerem depois de sermos adultos e responsáveis. Isso é tudo uma palhaçada na verdade… Porque não podemos apreciar as estrelas a partir de um telhado, nós dois e a Lua? Depois de crescidos? Depois de maduros?


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Ser bom? Ou mostrar ser? 

Um desabafo. Um momento de revolta. Um, dois, três, os que forem necessários para nos libertarmos disto, limparmos a alma e depois seguirmos em frente.

Deitamo-nos com as músicas na cabeça e adormecemos tarde porque os nossos horários de sono estão perdidos, eles nem sabem o que quer dizer a palavra rotina. Mas sim, o sacrifício compensa, é o que dizem. E de manhã cedo lá vamos, saltamos da cama confiantes que o esforço foi tudo o que quisémos e o que pudémos. Mais seria possível mas mais seria demais. Menos também, porém desistir não faz parte.

Somos bons? Ou mostramos ser bons? Tenho várias questões dentro de mim neste momento. Mais uma vez me apercebo que não mostro que sou boa, não valorizo as minhas capacidades, consequentemente os outros não as vêem, há sempre algo que está mal, e depois de tanta organização nos meus dias, tentar equilibrar os sacrifícios com o prazer, algo correu mal. Algo correu mal. Tanta coisa e tão pouca. 

É só um número! É… É verdade. Mas dói. Dói muito engolir. Não concordo e não concordarei. Não me conformo. Serei eu uma lunática? Não terei noção da realidade, dos factos? O que me falta, senhor? Senhores? 

Sei… Sei que não é isto o meu foco, não me é prioritário este número, estas aprovações ridículas como quem dá a migalha ao pombo que aterra por terra pedindo esmola. Que imagem humilhante é esta? Pena de mim? Terei eu pena de mim? Por vezes sim, mas outras não. E aí, aí não tenham pena também, não me olhem com esse ar, porque eu não vim gritar. Eu vim cantar e dançar. Ajudem-me. 

Ah não. Quem me ajudará serei eu mesma se não posso contar convosco. Víboras da terra tiram-me a paz. Mas não. Não tirarão o meu sonho. 


Protegido: Mile High Club! 

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O que se faz num avião à noite? 

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noite de lua cheia vista do ar

E são duas da manhã, ei!

E são três da manhã, ei!

E somos 200 e tal por cima do Atlântico, ei!

E o que fazemos? Hummm, vamos pedir um copinho de água para começar…. Temos sempre sede, está calor lá fora e o avião tem um ar muito seco! Ah espera, sentei-me em cima dos phones e agora não sei deles! Deixa ver se passa alguém para pedir outros…

Passageiro também tem frio depois da descolagem. Uma manta não é suficiente. Vamos pedir outra para prevenir. E agora sim, começa a nova fase do vôo: o entretenimento! Qual filme vou ver? Ah não, estou cansada deste, vou mudar o canal.

E agora deixa-me ver aqui no air show a quantos quilómetros estamos do destino. Ui, estamos a 11.000 metros de altitude! Uau, o Atlântico é tão grande!

Agora encho a minha almofada que comprei de propósito para esta viagem. Sem ela não consigo dormir. Ah, espera lá: vou fazer xixi antes de me instalar. Que chatice, é melhor calçar os sapatos para lá ir. Ou não, vou de meias, que se lixe, e o chão da casa-de-banho é sempre limpo!

Ups, decidi ir ao xixi mesmo na hora em que os tripulantes começam o serviço do jantar! Não vai dar para passarem com o carrinho e eu aqui! Ah não, eles dão o jeitinho, recuam para eu passar.

E pronto, agora jantamos. Carne ou peixe ou carne ou frango? Ai, não sei o que escolher. E bebida, o que tem? Bem, a comida nem é má…

Apagam as luzes do avião, mas nem tenho sono! O que vou fazer… Vou alongar as pernas lá atrás do avião, aproveito e peço outro copo de água!

Bem, agora sento-me e vejo outro filme. Ups, enganei-me no botão do comando, chamei os tripulantes ao meu lugar sem querer! Ah, já agora que venha outra água. Ah não, uma coca-cola, apetece-me!

E agora veremos se o sono vem. Olha, veio! Adormeci. E só acordo com as luzes do avião. Vão dar-nos mais papinha, que bom!

Ah, quero repetir o sumo de laranja… E o café! Mais açúcar! Leite! Que bom, esta viagem está a ser maravilhosa… Nada melhor para terminar uma viagem de dez horas do que assistir ao nascer do sol daqui, por cima das nuvens!

E o que faz qualquer tripulante durante este grande vôo?

LUTA contra o sono! Simples…