momento de viagem

sensações, emoções e imagens por aí!


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A vela e a vida

Consegui encontrar a ligação entre os veleiros e a vida.

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veleiro através de um veleiro

Começo a perceber um pouquinho que nem sempre conseguimos seguir o nosso rumo porque o vento nos troca as voltas. Ou, espera… Mas afinal sempre se conseguiu: queres ir até Cascais, vais; queres passar ao lado do Terreiro do Paço, vais; queres afastar-te de outros barcos, afastas-te. Afinal conseguimos ir sempre para onde queremos?

Uma coisa é certa: se não sabemos qual o destino escolhido, vamos a algum lado, só não sabemos efectivamente onde, e podemos sempre chocar em algum obstáculo caso nos deixemos ir sem nenhuma rédea.

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margem sul de Lisboa – indústria mas com cor

Adorava ser capaz de controlar sempre o meu leme, saber sempre para onde quero ir, saber sempre em que grau direccionar as velas para que o vento me leve lá. Mas a piada da vida, dizem, é andarmos ao longo dos anos a experimentar e aprender novas técnicas e ferramentas para irmos afinando o nosso “barco”. Enquanto experimentamos vamos falhando e chegando a lugares indesejados. Marés e ventos fortes que nunca antes navegámos e que nos fazem perder totalmente o controle! Cairmos na água? Ah sim, parece que sim, que pode acontecer. Quem me dera nunca lá cair, pois depois da molha tenho que secar tudo: roupa e corpo (e alma?). Pode demorar umas horas ou dias, meses ou mesmo anos!

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Ponte 25 de Abril, rio Tejo

Porque na vida vivemos coisas que depois teimam em perpetuar-se dentro de nós. Temos muito o discurso de deixar fluir, de nos deixarmos levar pelo som do vento (como no veleiro?), mas a verdade é que ninguém ou quase ninguém vive assim: eles têm um destino programado, eles projectam coisas, eles vão atrás dos seus objectivos. É mentira. É mentira quando me dizem para descomplicar, quando me dizem para seguir apenas as sensações, a alma. Ai de mim!!

Ai de mim que me deixe levar pela corrente sem destino marcado!

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Terreiro do Paço a partir do Tejo

Então, não é assim quando se abre as velas do barco: decide-se o destino e trabalha-se nesse sentido? Aproveita-se o vento sim, mas a nosso favor.

Na verdade, nada é matemático aqui, tanto na vida como no veleiro. Mas encontrei mais uma verdade: é bom sabermos qual o rumo a seguir. Vamos lá com o vento mas o “lá” é bom que seja definido!


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Um dia operático em Nova Iorque 

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Broadway, NY

Hoje foram oito horas de voo. À 1h da manhã portuguesa, 20h de Nova Iorque, recuperáramos terra, desta vez o continente americano. Nova Iorque espera-nos, mesmo que apenas por 24 horas!

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Broadway, NY

Só uma pequena reflexão antes de continuar: todos nós queremos vir a Nova Iorque um dia; todos nós cá devíamos vir um dia; mas para um americano a viagem dos seus sonhos talvez seja a Europa e não Nova Iorque! Quero com isto dizer que as coisas ganham determinada dimensão e importância dependendo da dificuldade para a alcançarmos talvez! Ou será que as grandes e potentes cidades estão confinadas a esta fama e desejo e os mais pequenos lugares são insignificantes? São nadas?! A reflectir por favor…

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interior da MET opera

Continuando pela estrada rumo a Manhattan, a baixa temperatura deu-nos as boas vindas junto com o arrepio e a cara feia de quem não estava lembrado destas sensações invernais (Portugal tem um clima fantástico!!).

O que planeei eu para o meu pequeno dia em Nova Iorque? Baseei-me no frio e concluí que a cultura interior seria uma óptima ideia: ir ver arte ou um concerto. Amanhã cedo irei até à MET, a ópera de Nova Iorque, tentar encontrar os bilhetes que ainda restavam para a ópera das 13h no site: Werther é o nome da ópera, de Jules Massenet. Confesso que não a conheço, mas os trechos que lhe ouvi atraíram-me. E a ideia de ir à ópera em Nova Iorque chama por mim… Mas há mais, há mais a viver por cá! Oh se há!

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interior da MET opera

São 10 horas da manhã, a bilheteira da MET Ópera abre. Visto-me a rigor para o frio quase insuportável e caminho Broadway acima. Há bilhetes, 22.50 dólares para ficar no topo da sala, de pé. Experimento.

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sala da MET opera

Cada lugar tem o seu mini ecrã para as legendas: inglês, espanhol ou alemão (a ópera é francesa); o edifício, apesar de muito contemporâneo não deixa de incluir tantas zonas revestidas a alcatifa vermelha e onde for possível há a cor dourada juntamente com os candelabros de luz forte e design arrojado. O clássico está lá, além do ambiente destes espectáculos me alimentar sempre de serenidade e conhecimento. A sala está cheia.

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exterior da MET opera

A ópera… a ópera é realmente uma obra muito completa: inclui canto, orquestra, teatro, cenários, enfim… E tem também a paixão, as emoções, o amor porventura! E eu… Eu dou por mim a ler frases super românticas e poéticas, que cada vez se devaneiam mais no nosso mundo. Até na minha mente. É cruel ser adulto?
Esperem…. o acto III desta ópera é emocionante… Arrepio-me e os olhos controlam-se. Parece que algo me desperta a alma novamente e eis que a esperança no romantismo retorna ao mundo.

Ver coisas clássicas afinal ajuda a recuperar certos valores perdidos no tempo!


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O turno de descanso

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fasten belt while you rest

Eu digo… Eu digo-vos qual o meu cenário imaginado antes de adormecer lá em cima, em cima das nuvens ou… do mar! Abaixo da Lua que hoje se enche de luz.

Era eu e ele, ou eu e tu!

Fomos estender-nos por cima das telhas de uma casa qualquer, algures no Alentejo ou também numa terra fria de céu transparente, bem lá no Norte. Embrulhámo-nos em mantas de barriga para cima. Olhos postos no céu, claro! E ali estavam elas, as estrelas que nos iluminam as noites. Brilhavam forte, eram como pequeninas pedras preciosas espalhadas no escuro.

Nós os dois ali no meio do quase nada, qual cidade qual quê! Eram as estrelas, o telhado, a Lua e nós. E depois adormeci como quem flutua pelo ar de tão leve e tão suave que se sente.

Há coisas tão simples e tão impossíveis de nos acontecerem depois de sermos adultos e responsáveis. Isso é tudo uma palhaçada na verdade… Porque não podemos apreciar as estrelas a partir de um telhado, nós dois e a Lua? Depois de crescidos? Depois de maduros?


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Simpatia brasileira

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pin oferecido no avião, do Rio 2016

Um post dedicado à simpatia que vou encontrando um pouco por todo lado, entre a comunidade brasileira! E não só, claro…

Em Campinas, estado de São Paulo, fui a uma loja. Saí de lá com as compras e mais um saquinho com uvas e pêssegos, que a Carol da loja me ofereceu. Não pude recusar, ela insistiu muito! A fruta estava maravilhosa.

No outro dia recebi aqui um comentário no meu blog, de um senhor que foi meu passageiro. Muito poético e simpático mesmo!

Tenho uma amiga, a Lidiane, conheci-a no Porto. É uma brasileira diferente dos que estamos habituados, para o lado positivo, claro! Já fui ver uns concertos em São Paulo com ela.

Há mais de um ano, entre Zagreb e Lisboa algures no ar, uma senhora brasileira descobriu a quem oferecer um terço colorido que havia comprado numa zona da Croácia, chamada de Medjugorje… Fui eu a contemplada! Disse: “a nossa senhora mostrou-me o destinatário deste terço, senti que lhe irá fazer bem tê-lo, vai iluminar mais a sua vida.” Eu já nem sei bem com que Deus é que falo hoje em dia, mas a verdade é que naquele dia especificamente o terço deu-me alento! Foi um gesto tão generoso e simpático!

Recebi um pin sobre o Rio 2016. É… Vai haver os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro este ano e um senhor que servi trazia um pin do Rio 2016. Elogiei o pin! E pronto, justificou a sua oferta dizendo que ainda tinha imensos na mala. Mais colegas meus foram ofertados também!

E todos os que me agradecem a simpatia… Uma freira brasileira disse-me que meu sorriso e simpatia eram bonitos. E por aí adiante.

Se há uma coisa que eles sabem fazer melhor do que nós é valorizar quando corre bem. O português manifesta-se mais quando não está contente. E isto aplica-se no nosso dia-a-dia…


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Ser bom? Ou mostrar ser? 

Um desabafo. Um momento de revolta. Um, dois, três, os que forem necessários para nos libertarmos disto, limparmos a alma e depois seguirmos em frente.

Deitamo-nos com as músicas na cabeça e adormecemos tarde porque os nossos horários de sono estão perdidos, eles nem sabem o que quer dizer a palavra rotina. Mas sim, o sacrifício compensa, é o que dizem. E de manhã cedo lá vamos, saltamos da cama confiantes que o esforço foi tudo o que quisémos e o que pudémos. Mais seria possível mas mais seria demais. Menos também, porém desistir não faz parte.

Somos bons? Ou mostramos ser bons? Tenho várias questões dentro de mim neste momento. Mais uma vez me apercebo que não mostro que sou boa, não valorizo as minhas capacidades, consequentemente os outros não as vêem, há sempre algo que está mal, e depois de tanta organização nos meus dias, tentar equilibrar os sacrifícios com o prazer, algo correu mal. Algo correu mal. Tanta coisa e tão pouca. 

É só um número! É… É verdade. Mas dói. Dói muito engolir. Não concordo e não concordarei. Não me conformo. Serei eu uma lunática? Não terei noção da realidade, dos factos? O que me falta, senhor? Senhores? 

Sei… Sei que não é isto o meu foco, não me é prioritário este número, estas aprovações ridículas como quem dá a migalha ao pombo que aterra por terra pedindo esmola. Que imagem humilhante é esta? Pena de mim? Terei eu pena de mim? Por vezes sim, mas outras não. E aí, aí não tenham pena também, não me olhem com esse ar, porque eu não vim gritar. Eu vim cantar e dançar. Ajudem-me. 

Ah não. Quem me ajudará serei eu mesma se não posso contar convosco. Víboras da terra tiram-me a paz. Mas não. Não tirarão o meu sonho. 


Protegido: Mile High Club! 

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O que se faz num avião à noite? 

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noite de lua cheia vista do ar

E são duas da manhã, ei!

E são três da manhã, ei!

E somos 200 e tal por cima do Atlântico, ei!

E o que fazemos? Hummm, vamos pedir um copinho de água para começar…. Temos sempre sede, está calor lá fora e o avião tem um ar muito seco! Ah espera, sentei-me em cima dos phones e agora não sei deles! Deixa ver se passa alguém para pedir outros…

Passageiro também tem frio depois da descolagem. Uma manta não é suficiente. Vamos pedir outra para prevenir. E agora sim, começa a nova fase do vôo: o entretenimento! Qual filme vou ver? Ah não, estou cansada deste, vou mudar o canal.

E agora deixa-me ver aqui no air show a quantos quilómetros estamos do destino. Ui, estamos a 11.000 metros de altitude! Uau, o Atlântico é tão grande!

Agora encho a minha almofada que comprei de propósito para esta viagem. Sem ela não consigo dormir. Ah, espera lá: vou fazer xixi antes de me instalar. Que chatice, é melhor calçar os sapatos para lá ir. Ou não, vou de meias, que se lixe, e o chão da casa-de-banho é sempre limpo!

Ups, decidi ir ao xixi mesmo na hora em que os tripulantes começam o serviço do jantar! Não vai dar para passarem com o carrinho e eu aqui! Ah não, eles dão o jeitinho, recuam para eu passar.

E pronto, agora jantamos. Carne ou peixe ou carne ou frango? Ai, não sei o que escolher. E bebida, o que tem? Bem, a comida nem é má…

Apagam as luzes do avião, mas nem tenho sono! O que vou fazer… Vou alongar as pernas lá atrás do avião, aproveito e peço outro copo de água!

Bem, agora sento-me e vejo outro filme. Ups, enganei-me no botão do comando, chamei os tripulantes ao meu lugar sem querer! Ah, já agora que venha outra água. Ah não, uma coca-cola, apetece-me!

E agora veremos se o sono vem. Olha, veio! Adormeci. E só acordo com as luzes do avião. Vão dar-nos mais papinha, que bom!

Ah, quero repetir o sumo de laranja… E o café! Mais açúcar! Leite! Que bom, esta viagem está a ser maravilhosa… Nada melhor para terminar uma viagem de dez horas do que assistir ao nascer do sol daqui, por cima das nuvens!

E o que faz qualquer tripulante durante este grande vôo?

LUTA contra o sono! Simples…