momento de viagem

sensações, emoções e imagens por aí!


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Recife no dia de Natal

Aos que me disseram “ai coitadinha, vais passar o Natal no Brasil” com ironia: é quente, está sol, bronzeei um pouco, vi o mar do Brasil, fiz uma caminhada na marginal e não precisei de cachecol, tive uma óptima ceia aqui no hotel.

Recife antiga – rua do Bom Jesus

Recife antiga

Querem saber mais? São coisas que não se vêem… É a sensação de que já sofreste mais com esta ausência no passado mas que nunca deixará de ser uma falha que dói tanto… É o ver reencontros familiares para o Natal e eu estar a partir em vez de chegar. É a solidão do Natal? Humm, felizmente ainda me sinto aconchegada pelos meus e estou cada vez mais mentalizada que o Natal é dia 26 de Dezembro! Mas… É a missão de ser útil e de saber dar ao mundo, mas a revolta e nostalgia também fizeram parte pelo meio.

garça – no caminho de Recife para Olinda

artesanato à venda em Olinda – muito erotismo!

E posto isto, o que fiz no dia 25 de Dezembro de 2017? Fui visitar Olinda com uma colega, a supervisora, e o seu marido, levados pelo taxista “Índio”, e que belo passeio…

Olinda é uma cidade fundada pelos portugueses em 1535. Século XVI, é muita história como devem calcular. A cidade tem 22 igrejas, não tem prédios altos e as casas coloridas mantêm as suas linhas tradicionais, o que realmente é um alívio para quem já está tão saturado de ver prédios em frente ao mar neste Brasil urbano e moderno.

igreja do Carmo vista do Alto da Sé

Depois de uma visita rápida ao Recife antigo, uma foto ao lado da estátua do poeta António Maria, o encontro da primeira sinagoga da América latina, fomos até ao centro histórico de Olinda.

eu a conversar com o poeta António Maria

Tem sete colinas tal como Lisboa, segundo o Fábio, um homem que debitou tanta informação sobre a cidade e a igreja matriz de São Salvador do Mundo em trinta minutos que aquilo mais parecia a História de Portugal ao longo de dez séculos!! Irra, que o calor está a dar-me a moleza que tanto atraio!! Nem o açaí geladinho me despertou!

igreja matriz de São Salvador do Mundo

Olinda promete as fotografias artísticas coloridas que eu imaginava, mas hoje a visita não pode prolongar-se muito. Um dia já serei capaz de cá voltar sozinha e quem sabe poderei deambular pelas ruas antigas e íngremes desta tão antiga cidade!

O dia de Natal sem frio é muito estranho. E sem família, e sem lareira, e sem bacalhau, e sem casacão, e sem pai, e sem e sem e sem e sem! Mas fui feliz… Amanhã serei mais ainda!!

 

 

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Praia no Rio de Janeiro

 

morro do Leme

  
É verão aqui. E um dia perfeito de sol e calor desperta-me depois de algum sono reparador. Abro a janela do quarto, até os pássaros cantam melhor do que há uns meses atrás! Por momentos senti a nostalgia de acordar na capital amazónica, Manaus. O Rio é uma cidade abençoada com beleza natural. Pena ser cidade e outras coisas mais, porque esse facto apaga muitas coisas ainda mais lindas! Mas não me canso de elogiar os morros ali plantados no meio do mar ou de planícies.

cadeiras de aluguer


Não há tempo para grandes programas nesta curta visita, então o objectivo será apenas receber vitamina D na praia. E que objectivo…

O mar está bem mais calmo do que de costume, o sol queima muito e a areia é fogo! E domingo não, o ideal mesmo é a segunda-feira de manhã para vir à praia. Devem imaginar a razão: confusão!

 

vendedor na praia

 
Não trago óculos de sol, então acabo por ver muito pouco, mas de vez em quando abro os olhos e vejo o morro do Leme que parece ali estar só para me lembrar que a Natureza é fantástica. E esta é uma visão muito redutora do Rio, já que o meu tempo é escasso.
A praia. A praia estava divinal. Divinal…


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Um alemão em Porto Alegre

Hoje descolo e aterro em frente a uma senhora brasileira e um rapaz estrangeiro. Não sei de onde vem ele mas virei a saber tudo durante a descida a Porto Alegre.

Íamos nós a caminho da pista de Lisboa para descolarmos do chão, a senhora olha-me uma, duas, três vezes. Apetece-lhe falar, eu sinto-o! Não sei se me apetece falar hoje… na dúvida dou-lhe uma oportunidade.

Começa mal: “vocês Ainda regressam hôji para Pôrrtugal?” Não senhora, não sou super humana. Depois de 12.30 horas de trabalho acha mesmo que voltarei a trabalhar outras tantas de seguida? Ah, se os pensamentos falassem meio mundo se chateava comigo e eu não seria tão boa pessoa!!

Entretanto ela desenvolve a conversa para outros campos mais interessantes: “sabe, tive medo de perder esse vôo para Porto Alegre porque o nosso vôo que vinha do Pôrrto se atrasou!” “Ah sim, foi conhecer o Porto?” “Sim, e conheci imensas outras cidades do Norte de Pôrrtugal: Braga, Barcelos, Guimarães, Régua, Viana do Castelo, Vila Real, Lamego, Amarante, …”

Estava o avião a puxar potência máxima dos motores, já nem ouvia a senhora a falar, mas a conversa queria continuar. Lá acalmou depois da descolagem pois a vista de Lisboa estava linda, mais linda do que eu ali e então a janela tomou conta do nosso silêncio.

Fui trabalhar.

No fim do vôo, quando me sentei para a aterragem finalmente percebi de onde vinha aquele rapaz estrangeiro: era alemão. Vinha de Colónia e imaginem só, havia de estar inundado de expectativa e alguns nervos (se fosse eu seria assim!) porque vinha estudar durante um ano para Porto Alegre! A sua primeira vez na América!

O rapaz tem vinte anos, é enorme, clarinho, típico alemão. Desenvolvemos alguma conversa até que o avião tocasse no chão e ele fosse para a grande aventura da vida dele. Não sabe falar português nem compreende quase nada, mas vai ter aulas de português em Porto Alegre. Quer ir conhecer outros lugares da América do Sul, como o Perú ou a Argentina. E… Arrisquei dizer-lhe que ainda regressa a falar super bem brasileiro e ainda com namorada brasileira!! Que seja do Sul, se tiver mesmo que ser!! Quem experimentou o Sul e o Norte do Brasil percebeu-me…! Boa sorte alemão, que o choque cultural não te apague a excitação da aventura! Ou então bebe um chop que isso passa!


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Brasília – Santuário Dom Bosco e Sarah Kubitschek

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foto cliché na nave central de Brasília

No outro dia fui parar a Brasília, novamente. Do quarto via-se um fim de tarde maravilhoso, era o quente do dia a transformar-se em fresco da noite! Além de que, aquelas camas no centro do quarto nos dão uma sensação tão boa e a mim particularmente, me trazem boas recordações…

 

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pôr do sol em Brasília

A corrida do amanhecer deu-me coragem para ir conhecer uma igreja que uma colega me havia falado há uns tempos: Santuário Dom Bosco. Fui de uber mas a partir do nosso hotel não são mais do que uns 20 minutos a pé. A igreja fica na Quadra 702 Sul. Foi projectada pelo arquitecto Lúcio Costa, segundo. E esta é uma homenagem a São João Belchior Bosco, o padroeiro da cidade de Brasília.

 

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santuário Dom Bosco

E pois bem, vale a pena ver esta igreja, tem uma luz azul fantástica devido aos vitrais que abraçam todo o seu espaço. Quando fui era domingo, escolhi hora de missa propositadamente: 11 horas da manhã. A igreja estava cheia, vi imensas famílias, muitos homens, daqueles que não me parece que vão muito à missa em Portugal. Sempre se disse que os brasileiros são muito devotos, não é? Vá-se lá saber o porquê deste fenómeno!!!

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santuário Dom Bosco

Continuei o meu passeio a pé. A cidade estava quase deserta, talvez por ser domingo de manhã. Encontrei um edifécio lindo lindo e decidi tentar ir visitá-lo. O segurança simpático barrou-me a entrada porque era domingo: durante a semana podemos visitar o hospital Sarah Kubitschek mas ao domingo não… Fiquei-me pelas fotos do seu exterior, as janelas octógonas maravilharam-me! O arquitecto deste projecto foi João da Gama Filgueiras Lima, um senhor que viveu entre 1932 e 2014, vivendo em Brasília entre as décadas de 1950 e 1960. Trabalhou sob a influência de Oscar Niemeyer e Nauro Esteves. Está de parabéns sé pela criação deste edifício fantástico! Um dia irei visitar um outro núcleo deste hospital, próximo do lago, na zona Norte de Brasília.

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hospital Sarah Kubitschek

Não esquecendo que o nome deste hospital e de vários outros no Brasil da mesma rede – Sarah Kubitschek – é uma homenagem à primeira dama do Brasil entre os anos de 1956 e 1961, esposa do presidente na época, Juscelino Kubitschek.

Mais um pequenino dia fora de casa mas não tão desperdiçado como por vezes acontece, ou devido a falta de coisas para ver ou mesmo por falta de vontade de explorar!

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hospital Sarah Kubitschek

 


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Mercado de Fortaleza vs. A sesta

Vou-me desafiar a escrever o contraste entre um momento de 24 horas e outro de apenas uns segundos!

 

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mercado central Fortaleza

Foi um dia até bem passado em Fortaleza. Comecei-o às 6h de despertador, olhando a janela, tentando perceber o quão quente já estaria. Verdade que não conseguiria senti-lo mas a minha vontade seria aquele calor abrasador que me impedisse de saltar da cama e calçar as sapatilhas (os ténis!!). Lá fui a muito custo. Claro está que daí resultou uma boa corrida que me queimou aí uns três quilitos (Ah… ah… ah…).

No final do pequeno almoço combinou-se uma pequena excursão ao Mercado Central de Fortaleza. E eu, sempre curiosa mas sem vontade de ir às compras, aproveitei a companhia para me permitir abrir os horizontes sobre Fortaleza. E ver se seria capaz de tirar umas fotos ainda, sem assaltos!

 

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mercado central Fortaleza

Gosto de observar as pessoas e lugares em silêncio, imaginando-me uma nativa. E, definitivamente não queria ser dali. O que seria de mim vivendo tantos anos, tantos dias, sempre com as mesmas coisas, os mesmos espaços, tudo sem evolução, sem acompanhar o mundo lá fora que já não vende toalhas de mesa repletas de rendas?

Pois bem, mas o deleite de beber água de coco fresca no Brasil é realmente um júbilo.

 

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arte urbana em Fortaleza

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mercado central Fortaleza

E agora pergunto-me: porque sofro tanto, mas tanto, quando me acordam do turno de descanso no avião? Há umas semanas juro que acordei com a certeza que me daria melhor na agricultura, já que lá não se dorme sestas na madrugada: acorda-se e pronto!

E é neste momento crucial da minha vida na aviação que me debruço agora. Estou em vôo, vamos servir o segundo serviço de refeição daqui a pouco, e só eu e Deus sabemos o quanto sofri quando me despertaram da sesta há pouco. Os sonhos eram cor-de-rosa e cheios de fogo-de-artifício tal como a maioria deles aqui nos aviões. Mas não… Não pude continuar lá no meu mundinho paradisíaco. Tenho pouquíssimos minutos para me recompor deste sonho desfeito, subir os degraus, abrir a porta e deparar-me com 244 pessoas que me esperam disponível e sorridente quando só me apetece fechar os olhos, mesmo que em pé! Quero lá saber, só quero continuar lá no meu sono, no meu sonho!

Há momentos que duram segundos ou minutos no máximo, que nos matam por dentro! Estou com alguma dificuldade em descrever em palavras o que senti ao acordar da sesta de tão horrível que foi. Ou talvez porque ainda esteja com o cérebro meio parado do choque e do cansaço!

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rua em Fortaleza

E mais hilariante que isto é que, daqui a uns dias parece que esqueci o sofrimento e lá vou eu toda sorridente voar de noite novamente! Aliás, voar de noite é mau, mas acordar da sesta à noite é o supra-sumo do sofrimento! Hoje termino assim mesmo, até que o sono seja reposto logo durante o dia!


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Rio de Janeiro de bike!

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vista do Forte de Copacabana

Já em 2010, a primeira vez que fui ao Brasil e que atravessei o Atlântico, havíamos eu e a mana projectado dar uma voltinha de bicicleta pela orla marítima do Rio de Janeiro. Queríamos ir de Ipanema até ao Leme, passando pela Lagoa. Só vimos uma pequena estação de bicicletas públicas na zona da Lagoa precisamente, mas era o dia do regresso a casa. Não o realizámos, com esta promessa de futuro.

Hoje, dia 1 de Maio 2017, parti rumo ao aluguer de bike! Descobri que o preço é bem mais barato se alugarmos a uns senhores que se distribuem pela avenida Atlântica do que numa loja de aluguer. Uma hora 15 reais, duas horas 20! Negócio fechado e lá fui sentir o prazer da bike no Rio!

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vista do Forte de Copacabana

Como vinha da zona do Leme, pedalei até ao Forte de Copacabana e aí parei. Fiz “umas amizades” com os militares da entrada do Forte, conseguindo assim deixar a bike no parque sem cadeado mas em segurança.

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senhora funcionária do Forte de Copacabana

A entrada para o Forte é de 6 reais, 3 para estudantes e outros demais. Vale muito a pena lá ir, pelo maravilhoso momento que se pode passar ali na esplanada de um dos dois ou três cafés que ali há; pela vista fantástica, e já agora, pela história do Forte! Escusado será dizer que não tive muita paciência para ler os textos descritivos das imagens dos senhores importantes para aquele Forte. Sei que foi construído mais ou menos no século XVII.

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entrada do Forte de Copacabana

Saindo do Forte de Copacabana, continuei a pedalar até um lugar que vendia açaí. Fiz uma pausa para comer, claro, o belo do açaí. Estes açaí já são misturados com xaropes doces e outras coisas que ainda não percebi muito bem quais. De qualquer forma ainda os considero saudáveis, frescos e energéticos. E com banana ainda melhor.

Chego à praia de Ipanema e na rua Vinicius de Morais subo até à Lagoa Rodrigo de Freitas. Como hoje é feriado a avenida Atlântica tem o trânsito cortado num dos lados, o que faz com que haja imensa gente a passear de todas as formas e feitios (também há-de ser adorável ficar sentado numa esplanada ou no passeio da praia, apenas apreciando as pessoas que passam). A Lagoa está repleta de gente, há até umas artistas que se penduram em panos largos presos nas árvores. Parece-me ser um desporto muito interessante e deveras difícil! A Lagoa está calma como sempre e continua a não me transmitir muita limpeza, mas enfim, adiante! A paisagem circundante é digna de ser apreciada: há morros à volta, um deles com o Cristo do Corcovado lá em cima. Não consigo encontrar muitas palavras para a Lagoa, mas vão lá ver, pronto.

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Lagoa Rodrigo de Freitas

E bem, chegou o momento de voltar para trás, pedalar mais uns quilómetros seguidos, mas com muito prazer! Como é feriado foi mais fácil sair da Avenida Atlântica de bike, mas atenção que em dias de muito trânsito não deve ser fácil nem seguro pedalar fora das vias próprias para ciclistas…

Na verdade, este post não nos traz muito conteúdo além da minha conversa da treta e das fotografias fantásticas do Forte de Copacabana e da Lagoa Rodrigo de Freitas no Rio de Janeiro! Ah, e do facto de ter feito este percurso de bicicleta! Bem, leiam só este parágrafo se fazem o favor (para quem gosta de começar o jornal pelo fim como eu faço às vezes, parabéns, conseguiram poupar tempo a ler conversa da treta!! 🙂 )

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a sombra da minha bike!


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Arte e Peixe em Porto Alegre

obras de Karin Lambrecht

Voltei aqui num instante.

Penso ter omitido no outro post que Porto Alegre faz 245 anos agora, nasceu dia 26 de Março de 1772!

Estou com vontade e enegia para ir conhecer mais um pouco desta cidade: hoje é a vez do Santander Cultural, do Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS) e do Mercado Municipal. Ficam todos pertinho uns dos outros!

obras de Karin Lambrecht

vitrais no Santander Cultural

O uber deixou-me no primeiro lugar a ser visitado, fui almoçar no restaurante “Moeda”, do edifício Santander Cultural. Preço acessível, pessoas simpáticas e a comida nem era nada má! Só é pena ficar num andar baixo, sem vista para a rua! Após o aconchego da barriga nada melhor que o aconhego da alma: fui ver a exposição patente de 15 de Março a 30 de Abril, “Nem eu, nem tu: nós.” Obra de Karin Lambrecht (1957), curadoria de André Venzon. O espaço é amplo com uns vitrais lindos de morrer na cobertura; as obras da artista são abstractas, predominando o azul e o vermelho e… Cruzes! Muitas delas em cobre, acompanhadas da palavra “perdão”. Confesso que de tanto ver cruzes e perdões, ainda meditei por segundos sobre o perdão, tão importante para que vivamos em paz e serenidade… Espero que compreendam este conceito de perdão, não aquele em que se dá a outra face quando nos magoam…

Santander Cultural

obra de Karin Lambrecht

Santander Cultural

Depois desta arte, é a vez do MARGS, caminha-se dois minutos pela Praça da Alfândega e chegamos ao destino. Abrem-me a porta da entrada e ficam-me com a garrafa de água, a devolver à saída. Aqui a arte continua a ser contemporânea, mas celebra-se os 100 anos dela, com vários artistas brasileiros que seguiram as tendências e ideais de Marcel Duchamp. No andar de cima há mais uma exposição, de Vera Reichert, sob o tema água.

100 anos arte contemporânea – MARGS

Quanto aos 100 anos da arte contemporânea, na verdade faz 100 anos que Duchamp criou a “Fonte”: um urinol que virado ao contrário se torna uma fonte. O conceito de arte aqui foi questionado e alterado também. Duchamp queria aproveitar objectos já existentes, transformar a sua função ou mesmo fazer com que a perdessem na totalidade. Para além de não se importar com a efemeridade da sua arte, fazendo questão que assim fosse até. Muitos artistas brasileiros seguiram esta tendência e estão aqui exemplificados no MARGS. É de sublinhar que estes dois museus têm entrada grátis!

obra de Sandro Ka, MARGS

vista exterior do MARGS

Arrisco o Mercado Municipal? Sim, claro que sim. Ora vamos lá cheirar o peixe que se vende e encontrar as sementes de chia a granel muito mais baratas do que em Portugal. A piada deste mercado para mim está na sua dinâmica, no encontro de pessoas, quase multidão. O edifício é antigo e bonito mas infelizmente não encontrei ângulo nem segurança suficiente para o fotografar; porém, observar as coisas e as pessoas soou-me bem mais curioso do que ao edifício!

feira do peixe – mercado municipal