momento de viagem

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A boneca de trapos

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Era uma vez uma boneca feita de trapos, cheios de cores! Uma das suas paixões era viajar.
Numa terça-feira solarenga e quente fez umas tarefas de rotina pela cidade que a acolheu nos últimos seis anos. A meio da tarde, já estava cansada, mas ainda tinha duas malas de roupa para fazer e um vôo até Moscovo que lá chegaria às 3h da manhã. Durante o vôo, bebia coca-cola para se manter desperta, e muita água para enganar o tempo que vai passando pelos seus trapos coloridos.
Quando chegou a Moscovo, tomou um pequeno-almoço divertido e preenchido, que a embalou para sete horas de sono já o sol estava alto, chamando por ela à janela. Às quatro da tarde portuguesas foi jantar com boa companhia. Depois, a boa companhia convenceu-a a prolongar a noite para se rir e divertir um pouco. Quando voltou a sentir os lençóis da cama já era dia há algum tempo, mas apenas 6h da manhã russas. Cedo, portanto. Ou tarde? Dormiu umas 12h aos bocados nesse dia. É caso para dizer que a boneca de trapos tem sonos aos trapos!!
Nesse dia voltou para Portugal, já era quinta-feira. E chegou à base na sexta-feira de manhã. Antes, ainda fechou os olhos por uns minutos, sentada num banco duro, ao som dos motores do avião, lá por cima das nuvens. Foi directa para a estação de comboios, porque a sua família esperava-a pelo norte. Os seus trapos estavam já um pouco sujos e cansados, mas ela não podia parar! Dormiu no comboio.
O norte recebeu-a de braços abertos, almoçaram ao sol e o almoço era divinal. A sesta a meio da tarde era inevitável. Dormiu. O resto do dia foi giro, estava feliz, mas um pouco mais degradada.
Quando acordou na sua cama de berço, era dia de praia, piscina e sol. Foi, de scooter. O sono não se sente quando o vento aquece e a sede de sol é emergente! Mas a boneca de trapos sentia-se mole, precisando de novas forças e novas vitaminas. Mesmo assim, sobreviveu, e passados três dias de pura preguiça de mão dada ao sono, voltou para a cidade. Desta feita de avião, em hora de pôr do sol. Era segunda-feira.
Aterrou, esperou sentada pela mala de porão, e foi a pé até ao carro. Já no seu pequeno lar, apressou-se em encontrar a cama, precisava de adormecer rapidamente, precisava de sonhar com paraísos, precisava de carregar algumas energias para, às 6h da manhã despertar como se tivesse descansado horas e horas, dias e dias seguidos. Tomou um banho fresco para clarear as cores dos seus trapos. Foi voar. Foi e voltou. Onde foi? Não interessa. Foi. E voltou.
A boneca de trapos é assim: ela se cansa e as suas cores perdem luz e transparência com o passar do tempo. Mas ela vai sempre encontrando pelos seus caminhos os seus fôlegos, os seus descansos, o seu sol e a sua água, para se renovar.Não deixa de ser feita de trapos! Mas é uma boneca… Uma boneca de trapos…

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Autor: marimaricleta

A Marimaricleta vive entre o céu e a terra. Faz e desfaz malas quase todos os dias. Um dia decidiu escrever umas dicas para viver momentos fora de casa. Geralmente falamos de coisas óbvias e acessíveis a todos, quando viajamos. Lemos guias turísticos, vemos mapas, queremos ir onde todos falam que foram. O segredo das viagens são os momentos, as sensações, o que fica dentro de nós quando voltamos a casa. E são alguns desses momentos que descrevo aqui, para vos incentivar a viver os momentos, a enriquecer a alma, para além do olhar! deniselaranja@gmail.com

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