momento de viagem

sensações, emoções e imagens por aí!


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Moscovo – um lugar, cinco notas

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catedral de S. Basílio na praça vermelha

Moscovo será para sempre um lugar especial para mim. Coisas da vida lhe dão o devido destaque! Mas esse é assunto para outro post…

Hoje apresento as minhas cinco notas desta tão monumental cidade. É provável que um dia volte a fazer mais cinco notas de Moscovo, de tanto que ela nos oferece!

Vale sair-lhe das costuras?

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sala principal do teatro Bolshoi

1. Não resisto em ser vulgar neste ponto: vão ao Bolshoi. Entrem lá e assistam a uma ópera ou outro espectáculo qualquer. Na sala principal! Admirem-se com tanta beleza por favor. (Consegui bilhete mais barato na rua, em frente ao teatro, durante o dia do espectáculo; tentem também esta minha solução antes de gastarem balúrdios!)

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caviar à venda no Yeliseev

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supermercado Yeliseev

2. Comprar uma latinha de caviar por uns 32.000 rublos (uma fortuna portanto!) no supermercado mais lindo que já vi na minha vida: chama-se Yeliseev, fica na Tverskaya ulitsa, número 14. Se preferirem afortunar apenas os olhos e não desafortunar a carteira, optar por comprar um chá ou chocolate russo ou mesmo nada, também conta.

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namorar no parque Gorky

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praia artificial no parque Gorky

3. Na primavera não se pode faltar a uma caminhada pelo Parque Gorky, de preferência num domingo. Tem tantas coisas bonitas e russos praticando acrobacias, dança, patins, ping pong. É um espaço cultural na minha interpretação. Tem imensas flores e espaços verdes; um pequeno lago com chafarizes, ao som de música erudita; podem provar o milho grelhado, uma tradição nos parques russos; gaivotas para andar num lago…

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universidade de Moscovo

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uma das sete irmãs

4. O senhor Estaline, ditador da União Soviética entre a década de 1920 e 1953, quis mandar construir sete edifícios enormes para que, quando os estrangeiros visitassem a cidade de Moscovo encontrassem arranha-céus. Esses sete edifícios apelidaram-se de “as sete irmãs”. Uma delas é a origem da Universidade de Moscovo. Vale a pena lá ir. Há espaços verdes enormes em seu redor e um miradouro de onde se consegue ver toda a enormidade de Moscovo.

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no caminho para Klin

5. Tchaikovsky é um dos muitos compositores russos com um repertório muito vasto e cheio de valor. Durante oito anos decidiu viver numa casa de campo fora da confusão da cidade, para que se reunissem mais condições à sua criação musical. Mais anos lá poderia ter vivido, não fosse a sua morte em 1893 com cólera. A casa de campo de Pyotr Ilyich Tchaikovsky fica em Klin, uma pequena cidade a uns 80km de Moscovo.

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eu a avaliar partituras com Tchaikovsky – foto de Tiago Correia

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casa de campo de Tchaikovsky – Klin

Dependendo de onde estamos hospedados em Moscovo há que ir de metro ou a pé até à estação de metro Komsomolskaya. Saindo do metro encontra-se a estação de comboio Leningradsky: o bilhete custa uns 300rbl, a viagem pode durar 54 minutos ou 1.40h se o comboio for urbano e parar em todas as estações. Chegando a Klin encontra-se o pequeno autocarro número 5. O melhor é pedir ao condutor para nos indicar qual a paragem para ir até à casa museu do Tchaikovsky. Neste percurso todo, se encontrarem uma única pessoa que saiba dizer uma única palavra em inglês é caso para festejar! Mas graças a isso este passeio torna-se tão mágico e colorido que aconselho vivamente a experimentarem. É tão bom ser-se viajante em terras quase virgens de turismo!

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estação de comboios de Klin no final da tarde

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Boston – um lugar, cinco notas

Segunda visita a esta maravilhosa cidade, segunda pequeno crush que me deu por ela. Não sei se será a sua semelhança à nossa Europa do Norte, a sua calma, as águas que a contornam, ou mesmo a luxuosa loja de pianos Steinway & Sons que tanto me atraem. Parece um íman que insiste em colar-se a mim e que se descola quando chego à minha casinha, claro!

As minhas cinco notas para Boston:

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parque – rio Charles

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parque – rio Charles

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Acorn Street – Beacon Hill

1. Ir dar uma corrida matinal pelo parque em frente ao Charles River. Para quem não corre pode só ir caminhar ali, ou como alternativa vai até Beacon Hill mesmo ali ao lado; bebe um chá quente num dos lindos cafés deste bairro.

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Boston Public Library

2. Entrar na Boston Public Library depois de se deliciar com as lojas luxuosas pelo caminho.

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Steinert & Sons – loja de pianos

3. Experimentar tocar num piano Steinway & Sons de cauda completa na loja que agora fica na 1 Columbus Ave.

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Waterfront – Boston

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Waterfront – Boston

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Waterfront – Boston

4. Caminhar até ao Quincy Market, fazer uma pausa numa das mesas de esplanada no exterior do mercado; ganhar novo fôlego para ir até à zona Waterfront: dar um passeio de barco, visitar o aquário de New England ou simplesmente caminhar e respirar o ar do mar.

5. Esta nota, ainda não a toquei, mas sei que um dia voltarei lá e trarei a minha experiência: irei visitar o Isabella Stewart Gardner Museum. Quem lá for antes e me quiser confirmar que vale a pena agradeço a dica!

Para quem prefere outros sons, que tal ir assistir a um jogo de basebol no famoso mais antigo campo desta modalidade, o Fenway Park?


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Elogio às minhas viagens

No outro dia li uma mensagem que me comoveu e me inspirou para escrever sobre isto. Sobre o dia em que decidi começar a escrever e ilustrar as minhas viagens, para que o trabalho continuasse a ser prazer e para que se eternizassem os meus momentos pelo mundo.

Elogiaram a minha escrita.

E… Tenho já mais de 40 seguidores aqui directamente no wordpress! O que não é nada mau para quem não se faz publicitar (esclareço aqui que não me publicito porque gosto que me gostem por vontade própria e não por eu lhes impingir as minhas palavrinhas de blogger!).

Há dias em que esperamos ser distinguidos porque se nos acendeu uma luz no cérebro e escrevemos uma frase fabulástica. Nesses dias nada acontece! É verdade que não quero obrigar a que me leiam em vez de olharem o céu e o mar ou outras coisas prazerosas. Mas há de repente um dia em que se lembram de me ler e mais, imaginem: de me elogiar!!

Dizem que estou a evoluir na escrita e que devia escrever um romance. Mas que elogio!!! Obrigada Raquel!

Um dia quem sabe… Um dia confiarei o suficiente que não serei só mais uma com a mania que escreve e partirei à aventura! Confiarei que no fim da escrita do livro serei alguém mais especial neste Planeta e que deixei aqui alguma coisa para que os outros se inspirem e vivam também alguns dos seus sonhos.

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Já agora, deixo aqui umas palavras de Paul Theroux (1941), um viajante americano que escreve sobre as viagens dele. Estas palavras encontram-se numa entrevista da revista Courrier Internacional do mês de Agosto de 2017. Escolho como tema a diferença entre as viagens e a nossa casa, porque é algo que sinto muito: “Tenho demasiados locais favoritos para fazer uma lista, mas passo metade do ano no Havai e outra metade no local onde nasci, no litoral da Nova Inglaterra. Fico sempre encantado por voltar a casa. Só me sinto em casa no meu país. Nos outros sítios, esse sentimento é uma ilusão e uma miragem. É por isso que muitos viajantes acabam por ter grandes aborrecimentos e por se lamentar: “aqui, sentia-me em casa, tratei estas pessoas como se fossem família e elas roubaram-me.”

Pois portanto, fica aqui a linha tão ténue e tão dourada, tão valiosa, tão mais preciosa do que todas as viagens que se fazem numa vida: a nossa casa.

E mais uma vez o meu muito obrigada pelos elogios que vou recebendo e pelas vossas leituras ao meu blog! Não fazia ideia disto, mas motivam… E muito!


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Um alemão em Porto Alegre

Hoje descolo e aterro em frente a uma senhora brasileira e um rapaz estrangeiro. Não sei de onde vem ele mas virei a saber tudo durante a descida a Porto Alegre.

Íamos nós a caminho da pista de Lisboa para descolarmos do chão, a senhora olha-me uma, duas, três vezes. Apetece-lhe falar, eu sinto-o! Não sei se me apetece falar hoje… na dúvida dou-lhe uma oportunidade.

Começa mal: “vocês Ainda regressam hôji para Pôrrtugal?” Não senhora, não sou super humana. Depois de 12.30 horas de trabalho acha mesmo que voltarei a trabalhar outras tantas de seguida? Ah, se os pensamentos falassem meio mundo se chateava comigo e eu não seria tão boa pessoa!!

Entretanto ela desenvolve a conversa para outros campos mais interessantes: “sabe, tive medo de perder esse vôo para Porto Alegre porque o nosso vôo que vinha do Pôrrto se atrasou!” “Ah sim, foi conhecer o Porto?” “Sim, e conheci imensas outras cidades do Norte de Pôrrtugal: Braga, Barcelos, Guimarães, Régua, Viana do Castelo, Vila Real, Lamego, Amarante, …”

Estava o avião a puxar potência máxima dos motores, já nem ouvia a senhora a falar, mas a conversa queria continuar. Lá acalmou depois da descolagem pois a vista de Lisboa estava linda, mais linda do que eu ali e então a janela tomou conta do nosso silêncio.

Fui trabalhar.

No fim do vôo, quando me sentei para a aterragem finalmente percebi de onde vinha aquele rapaz estrangeiro: era alemão. Vinha de Colónia e imaginem só, havia de estar inundado de expectativa e alguns nervos (se fosse eu seria assim!) porque vinha estudar durante um ano para Porto Alegre! A sua primeira vez na América!

O rapaz tem vinte anos, é enorme, clarinho, típico alemão. Desenvolvemos alguma conversa até que o avião tocasse no chão e ele fosse para a grande aventura da vida dele. Não sabe falar português nem compreende quase nada, mas vai ter aulas de português em Porto Alegre. Quer ir conhecer outros lugares da América do Sul, como o Perú ou a Argentina. E… Arrisquei dizer-lhe que ainda regressa a falar super bem brasileiro e ainda com namorada brasileira!! Que seja do Sul, se tiver mesmo que ser!! Quem experimentou o Sul e o Norte do Brasil percebeu-me…! Boa sorte alemão, que o choque cultural não te apague a excitação da aventura! Ou então bebe um chop que isso passa!


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Sobre as ilusões

Fala-se tanto de ilusões e desilusões e por isso hoje dedico-me à escrita sobre elas. Mas vou principalmente debruçar-me sobre as ilusões, não as “des”, que essas preferem-se sentidas a escritas!

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aproveitando o pôr do sol em frente ao mar

Quem me disse que não posso ter ilusões? Quem me diz que a ilusão só leva à desilusão? Não haverão ilusões negativas já? Porque nos destroem as pessoas as ilusões? Será que esta vida é assim tão cinzenta? Ou então a preto e branco, sem um único arco-íris? Vou-vos dizer uma coisa: ide, ide à merdinha mais essas vossas frases clichê do “não cries ilusões…”

Mas será que as coisas boas não podem nascer de ilusões? Depois da ilusão pode vir a vivência, depois a experiência, a passagem do arco-íris para a realidade, a aceitação da realidade, e voilà, eis que surge uma bonita história que até à ilusão teve direito.

Fez-me chorar? Fez sim. A ilusão fez-me soltar umas lágrimazitas mas não só de tristeza; também a alegria, o sonho, a imaginação de um mundo melhor aconteceram por consequência da ilusão. Confesso que é uma seca as lágrimas não se nos terem secado em certas situações, mas se tiverem que cair pela cara abaixo que caiam! Que se lixe tudo! Já que a ilusão inclui o alto mas também pode levar ao charco. E então? Mais vale isso do que o marasmo, a realidade permanente que nos tira as tais cores da vida! Mais vale ter ilusões do que sermos sem emoção.

Vocês não gostam de ver magia? Porque existe ela? E o que acham que representam as artes: música, teatro, pintura, fotografia, cinema, literatura, porra. O próprio ser humano anda sistematicamente a representar e a querer eternizar ilusões, então porque não posso eu criar uma ilusão sobre uma pessoa que se cruza comigo no meu caminho? Ou sobre alguma situação na minha vida, em que imagino algo mais sorridente ou mesmo até mais ingénuo?

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pinhal na praia

Conto-vos a origem deste tema… Descobri que, mais uma vez talvez, criei há poucos anos uma imagem de alguém que me proporcionou imensas ilusões, imensos sonhos. Fui feliz, imensamente feliz com essas ilusões dentro de mim. Acreditei. Afinal não perdi toda a ingenuidade que nasceu comigo, iupi!

Nada evoluiu como eu havia sonhado. Desiludi-me sim! Mas pergunto: se não devia ter imaginado todas essas coisas boas? Devia sim. Fizeram-me recuperar de outras desilusões, esta ilusão deu-me novo fôlego para encontrar mais um arco-íris e outro e outro. Um fim de uma história é sempre o começo de outras. Tudo acontece como tem realmente que acontecer, e sem ilusão tem muito menos piada.

Lembrem-se das borboletas no estômago quando alguém que veneravam ia estar com vós, quando eram pequeninos; a véspera desse dia era uma odisseia de nervos! Era tão giro! Ide… E vão à merda mais o vosso estúpido neo-realismo. Não gosto disso, ponto final.


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MoMA em Nova Iorque

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predio espelhado, NY

Bla bla bla, vi prédios altos, bla bla bla, vi multidões, bla bla bla, vi a Times Square.

Mas não. Nada disso me dá o prazer de cantar o Aleluia numa missa da Saint Patrick’s Cathedral. “The Lord be with you!” Nada disso me dá o prazer de comer um iogurte com granola e doce de maçã comprado na Grand Central Station. E também o momento em que fotografei dois velhinhos lendo, um com lupa e outro com óculos, na New York Public Library. Mas que doçura fazer zoom mil vezes e observá-los lendo atentamente enquanto vou clicando no disparo da máquina.

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New York public library

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New York public library

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New York public library

Hoje o objectivo principal é o Museum of Modern Art, o famoso MoMA para quem aprecia, estuda ou faz arte. Bilhete normal a 25$, 14$ para estudantes.

Nem acredito que estou a ver de corpo presente tantos mas tantos quadros que estavam nos meus livros de história da arte! Pablo Picasso, Paul Klee, Kandinsky, Férnand Léger, Henri Matisse, Van Gogh, Aleksandr Rodchenko, Piet Mondrian, Marcel Duchamp, Paul Klee, Alberto Giacometti, László Moholy- Nagy, Claude Monet, Max Ernst, Joan Miró, Salvador Dali, Frida Kahlo, Jackson Pollock, Jean Michel Basquiat, Antoni Tàpies, Edward Hopper, …

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biblioteca em frente ao MoMA

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MoMA, Van Gogh

Além de todo este tesouro está patente uma exposição temporária do trabalho de Frank Lloyd Wright no 3º andar. Não tive muita paciência para lhe admirar os esboços mas folheei um livro super completo na loja do museu, digno de invejar aquelas construções a cada página com fotografia! É da Taschen o livro.

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MoMa, Matisse

Já com muitas dores nas pernas caminho até ao Lincoln Center porque era suposto lá ir ver um concerto logo às 19.30h. Não vou aguentar tanto tempo acordada nesta cidade!

A chuva decide voltar apesar do calor: é a trovoada de verão! Porra, não vai dar para andar muito mais pela rua porque as pingas estão cada vez mais fortes. Estou sentada no chão, por baixo do coberto do edifício do American Folk Art Museum. Até podia aproveitar lá ir mas estou cansada de museu por hoje!

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MoMa, Jean Michel Basquiat

Aprecio as pessoas e os carros. Sabe tão bem estar parado a observar Nova Iorque, a cidade que não pára! É como se estivesse na sala de cinema a ver um filme, mas sinto o calor, o ar, o barulho e as buzinas dos carros, o caminhar das pessoas mesmo aqui, os cheiros…

Não conseguiria viver aqui sem sombra de dúvidas, mas é um lugar a conhecer se a oportunidade se fizer: não percebo como conseguiram compactar tanta coisa numa só ilhota, a de Manhattan!


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Esperar no aeroporto

Estou retida no aeroporto do Porto. Só por umas horas, claro! É que, hoje é dia 31 de Julho… Podia ser o dia 4 de Fevereiro e já não ficaria retida aqui. Ou o 9 de Novembro!

Mas bem, parecia-me um dia tranquilo na aviação, enganei-me. Tem dias que é tão bom andarmos distraídos do que se passa ao nosso redor, sermos crentes, estarmos alienados ao facto de hoje ser dia 31 de Julho e não termos a noção de que tantos mas tantos seres decidem fazer férias e andar de avião nesta época!

Hoje não é dia de me enervar, de me irritar com isto. Hoje é dia de aproveitar o tempo livre neste aeroporto para ir adiantando tarefas que me dão prazer, que podia fazer em casa mas que já ficarão feitas aqui: beber água, comer um pão com queijo; ler um pouco do meu livro; ir ao WC; meditar; ver lojas de roupa; actualizar o mail; mandar mensagens às minhas pessoas; escrever este post. Pois pior seria se tivesse hora marcada para ir trabalhar hoje! Pois pior seria se o meu avião partisse o trem de aterragem. Pois pior seria se tivesse que chorar aquilo que chorava aquela jovem ali no corredor do WC!

Como? Hein? Chorar? Do que me falas, maricleta? Quem? Quem é que estava a chorar no corredor do WC?

Não resisto em desenvolver um pouco sobre este fatídico momento: não vou ser chata porque o próximo avião aterra já por cá e eu tenho que ir ali à porta de embarque pedinchar o meu lugarzinho no “céu”.

Quando ia ao WC ouvi uma rapariga soluçar, falar com voz de choro. Não tardei em encontrá-la no corredor que nos leva ao WC, de pé apoiada na parede, virada para um canto. Ao telefone. Estava desesperada, quase sem conseguir falar de tanto chorar. Fui ao WC pensando naquilo: devia ir ter com ela para ver se lhe podia dar algum alento? Voltei do WC. Já não estava sozinha, havia um jovem ao lado dela, esperando que ela terminasse a conversa por telefone. Não está sozinha, o assunto é grave mas não tanto quanto se estivesse sozinha ali! Pois quem está na zona pós raio X é porque vai andar de avião (adoro dizer isto como se fosse uma criança em vez de ser adulta e dizer que “vai viajar”), e ter que voar sozinha invadida por um choro daqueles não é pêra doce!

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fim de tarde no aeroporto de Lisboa

Vim para as cadeiras, neste caso vim ao computador que o aeroporto nos disponibiliza. Vocês acreditam que nos 20 segundos de caminho até aqui se me molharam os olhos por pensar que lhe pode ter morrido alguém? É possível, porque todos nós em algum dia das nossas vidas perdemos alguém que nos é próximo. É possível porque depois de nascermos um dia vamos todos morrer. Mas caramba, o Universo livrou-me deste choro num aeroporto até aos dias de hoje. Sou uma sortuda! (pausa para olhar a pista do aeroporto)

(pausa para olhar o céu que me parece ser azul mas que afinal o infinito é que o é)

(pausa para olhar as nuvens pequeninas a flutuar por aí)

(pausa para ver um avião aterrar)

E… Respira, respira, respira! Vai respirar a humidade do mar e dos peixes ali na praia, sente o orvalho do fim de tarde te hidratar a pele, molha os pés na espuma de uma onda e desenha um coração na areia com o dedo indicador.

Entretanto esse choro acalma e passará a outros mais calmos; expressivos na mesma, mas mais serenos!

Isto é viver sem dúvida, mas adorava ser poupada de choros desesperados num aeroporto! Ela, a jovem, não foi poupada. Oxalá as nuvens do vôo a acalmem um pouco!