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As noites lá em cima

Há momentos da vida em que não pensamos muito nela… Não analisamos os acontecimentos, não valorizamos uns nem percebemos que outros terminaram definitivamente e que temos que deixá-los ir. Da vida e da memória…

E há momentos que ainda perduram, o que não é necessariamente mau e que nos provocam alguns pensamentos. Continuo a voar em trabalho, esse facto não terminou e está de boa saúde! Quero que os meus futuros filhos leiam isto um dia e se lembrem que sozinhos conseguimos ser completos e felizes, que sozinhos encontramos sensações tão boas e gratificantes!

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avião da TAP a caminho de São Paulo

Quero que saibam que hoje passei a noite fora de casa, passei-a por cima do oceano atlântico, tentando dar um pedaço de mim a desconhecidos que me ajudam a pagar as contas de casa e os prazeres dos meus tempos livres. Eles também me dão uma parte deles!

Quero que saibam que conversei com dois passageiros brasileiros paulistas, ambos viajam imenso em trabalho também; um deles reconheceu-me do seu vôo há uns quatro dias atrás, até Frankfurt. Andam de reunião em reunião por aí, longe da família deles. Têm dois filhos cada um. Estávamos ali isolados do mundo real, dentro de um avião, à noite, falando de afectos, saudades, ausências e presenças. Eu havia preparado um plano positivo para desta vez sair de casa às 21.30h sorridente. Consegui: levei chá verde burma e morangos num tupperware da minha mãe. Tudo com amor e história. Só isso, e um telefonema a um grande amigo que festeja mais um ano de vida (ele disse umas asneiras em desabafo e eu soltei as minhas gargalhadas), transformaram a minha ida nocturna ao trabalho feliz.

A pergunta é: até quando terei estas energias criativas para me alegrar por ser diferente? Ah vida, que isto dure muito e muito tempo… Que os meus sonos reparadores me renovem as células da satisfação…

Ah sim, porque só vós que já trabalharam de noite, compreendeis estes momentos em que sentimos o cérebro a flutuar depois de termos vivido na luz da lua e dormido na luz do sol. Estamos embriagados com estimulantes naturais, não pensamos rápido e trocamos palavras ao falar!

Ser mulher neste século tem destas coisas, tem estes momentos de liberdade fantásticos e carentes de afectos ao mesmo tempo! Tudo no seu tempo, tudo na sua hora! Porque… Quando se é jovem isto é bom… e depois? Que volta darão “eles” aos pensamentos para que continuem felizes todos os dias que saem de casa de noite, com a mala na mão e o salto alto nos pés?

Quero que os meus futuros filhos saibam que, comigo mesma – sem filhos, sem marido, sem família – eu já fui muito feliz.

Estou a escrever-vos de dentro de um uber, já é noite novamente, somos eu e o condutor neste momento. Pedi que não ligasse o ar condicionado, então estou a sentir o vento quente de São Paulo e a ouvir uma música antiga de Bryan Adams. Um conjunto de pormenores que me fez sentir tão bem, longe de casa mas na minha companhia, e que companhia de luxo!!

Que os meus futuros filhos consigam atingir este nirvana de vez em quando, sem que sintam a obrigação de estar com mais alguém!


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Amanhecer no Lago Inle

Caramba pah, não há dia que não acordemos com as galinhas!

Às 5.45h teremos táxi pronto para nos levar a Nyaung Shwe. Ali vem o condutor do pequeno barco de madeira para nos apanhar. Está frio, já nos havíamos informado deste frio aqui apesar de não termos muita roupa quente para vestir… O barco tem lindas mantas para nos tentar salvar desta brisa madrugadora. Vamos com o condutor e mais um rapaz que fala bem inglês, mas que eu não percebo nada!

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pescador do Inle no amanhecer

Este passeio de barco vai durar umas 7 horas aproximadamente, e custa 30000 kyats. O barco será só para nós, apesar que partilhando com mais um ou outro viajante ficaria mais barato a cada um.

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pescador do Inle no amanhecer

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pescador do Inle no amanhecer

Estacionamos praticamente no centro do lago, na sua parte mais larga. Há uma vegetação que sobe desde a base do lago e que ajudam o barco a ficar mesmo parado entre ela. O sol vai aparecendo muito discreto por entre a neblina, há três balões de ar que voam entre uma margem e a outra do lago. E lá vêm os pescadores… É apenas um em cada barco (estes barcos têm um custo de 500 dólares), com a rede em forma de   cone e o remo que dominam com uma arte especial, enrolam uma das pernas nele. Estes senhores proporcionam fotografias fantásticas do Inle, eu vou tentando imitar os fotógrafos profissionais mas nem sempre é fácil, até porque a minha objectiva é pequenina…

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amanhecer no Inle

Continuamos o passeio visitando várias vilas, todas acessíveis apenas via água: Hehyar YwaMa, Nan Pan, Pauk Par, Sae Khaung, Inn Paw Khone. Vimos um jardim flutuante a caminho destas vilas: é tudo plantado e tratado com os agricultores dentro de um barco!
Não sou capaz de pormenorizar em que vilas parámos, mas na verdade os senhores já têm tudo programado e por isso basta desfrutar.
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jardim flutuante no Inle

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senhora burma no Inle

Parámos numa casa em que fazem jóias e objectos em prata e bronze; noutra em que fazem lenços, roupas e etc. em seda, algodão e lótus; noutra em que constroem barcos (um barco do tamanho do nosso custa 2500 dólares) e fazem cigarros (estes cigarros são feitos apenas com produtos locais, a película que o envolve é uma folha verde). Tanto nas jóias quanto nos tecidos há uma menina jovem que nos dá uma introdução sobre como se produzem as coisas e vamos circulando pelo espaço de trabalho. Depois encaminham-nos à loja onde nos seguem para o caso de querermos comprar alguma coisa, supomos que sejam as únicas que falam inglês e então assim podem comunicar connosco. Mas as coisas nem são assim tão baratas, já que o que é artesanato à partida terá um custo de produção mais elevado, e pensamos nós que os preços já são inflacionados para o turismo.

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casa flutuante no Inle

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senhora leva o filho à escola

O Phaung Daw Oo Pagoda é engraçado mas mesmo assim não se compara aos templos de Yangon. Há imensas barraquinhas de venda de artesanato à volta do pagoda, algumas coisas são uma tentação… Não resisti em comprar um anel, penso que de mistura de prata com bronze, ainda cheguei a colocar um anel no dedo da senhora vendedora porque pelas amostras pareceu-me que as burmas têm os dedos mais finos!
Depois, praticamente no final do passeio passamos no Nga Phe Chaung Monastery, o mosteiro mais antigo da região, construído originalmente em 1840.
Uma destas vilas que enumerei é onde vivem a maioria dos pescadores e noutra vimos imensas crianças a serem levadas para a escola, de barco, claro! Perguntei ao nosso rapaz, o Oh Oh (o nome que nos disse ter), até que ano da escola podem estudar aqui na zona do lago, respondeu-me que dá até ao fim do secundário. Oxalá comecem a estudar cada vez até mais longe pois isso ajudará a que o país evolua!
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barco no Inle

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peixe acabado de pescar!

Chegadas de regresso a Nyaung Shwe temos que almoçar, a fome aperta…
O Inle Palace é um espaço engraçado e simpático e com internet mais ou menos boa! Recomenda-se.
O que faremos durante o resto da tarde é algo que estava alinhavado mas que não estávamos certas que seria a melhor opção: ir visitar as águas quentes de Khaung Ding. O problema: esquecemo-nos de trazer o biquini connosco. Vamos a um quiosque onde há informação de nos arranjarem o táxi até lá (a lonely planet sugere fazer estes 8 quilómetros de bicicleta mas ainda temos o rabo dorido!). O rapaz fala um inglês super decifrável e diz-nos que lá é só mesmo molhar nas águas, sem vista alguma e sem mais nada para fazer. Então sugere as vinhas… Segundo li nos guias turísticos é praticamente só aqui que se produz vinho em todo o Myanmar.
Inle Lake Wine??? Estranho, mas eu gostei muito do sabor! O tuk tuk leva-nos até à Red Mountain e traz de volta à cidade. São 20 minutos ida no máximo. Nesta rua até às vinhas é onde nos cruzamos com mais turistas de bicicleta. Ao que parece vai tudo experimentar o maná do sítio… Vale a pena, pelo vinho e pela vista também. Aqui há flores!
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vinhas na Red Mountain

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vinhas na Red Mountain

Ainda uma última caminhada por Nyaung Shwe, finalizando com mais um sumo de melancia numa esplanada super agradável, e o regresso ao hotel é feito com o mesmo senhor do tuk tuk: combináramos com ele que dali a uma hora nos esperaria em frente ao mini mercado. E mais uma pequena negociação de preço feita (5000 kyats, os preços no Inle são os mais caros de entre os nossos três destinos burmas) num instante estávamos no Nadi Royal Resort.


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Inle Lake – Terceiro destino de Myanmar

Estamos a caminho do aeroporto de Heho, o destino agora será o Lago Inle. Ficaremos duas noites aqui e tenho algumas boas expectativas quanto ao que irei ver. Sugeriram-nos o passeio de barco durante a madrugada, imagino que será um novo lindo amanhecer. Diferente do de Bagan, mas com muita beleza de qualquer forma. No Inle haverá montanhas como cenário de fundo.

Esta madrugada viemos para o aeroporto às 6.30h e no check-in informaram-nos de um atraso de 50 minutos. Mudaram o vôo… Então porque não apanharmos um táxi num instantinho, e ver mais um nascer do sol em Bagan? Conseguimos o táxi e ele levou-nos até um templo fantástico para ver os balões voar de perto, ainda por cima com muito poucos outros turistas. Nem acredito que afinal conseguimos um óptimo spot sem multidões, e só pagando o táxi que nos levou até lá. Foi um querido… É o templo Thitsarwadi, nome difícil mas a reter!

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novo amanhecer em Bagan

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novo amanhecer em Bagan

E mais uma vez estava eu viciada em fotografar… A todos os segundos a paisagem muda um pouco porque os balões passam. E queremos sempre procurar a melhor imagem. Acredito que tenha algumas melhores imagens, vou ficar confusa com tanta beleza na minha máquina fotográfica!
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novo amanhecer em Bagan

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novo amanhecer em Bagan

Chegadas ao aeroporto de Heho apercebemo-nos que aqui há menos turismo do que em Yangon ou Bagan e este edifício é bem mais simples e humilde. O táxi vai durar mais ou menos 45 minutos até Nyaung Shwe e custaria 25000 kyats. Mas nós tentámos encontrar preços mais baratos, sem grande sucesso. Até que nos sugeriram a partilha de táxi, um mochileiro da República Checa veio connosco, ficou-nos por 15000 kyats assim! Menos gasto e mais ecologia…
O nosso hotel fica a 6 km da vila Nyaung Shwe, chama-se Royal Nadi Resort. São umas cabaninhas de madeira plantadas em frente a dois pequenos lagos, muito agradável e talvez bom demais para o pouco tempo que cá passaremos no hotel! Oferecem bicicletas. Não eléctricas… Hum….
Já se está a ver como será o nosso fim de jornada: nádegas quadradas, mas com o sorriso no rosto pelas lindas paisagens que vimos!
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Inle – monjas

Ao entrar na zona da reserva do lago Inle os estrangeiros pagam 10 dólares e recebemos um bilhete com validade de uma semana. Fomos pedalar pela margem esquerda do lago, o que se encontra em terra são campos verdes, casas de verga com telhados de casca de milho, alguns templos espalhados pela vila e que continuam pelas localidades que envolvem o lago. Vão-se encontrando as torres dos pagodas ao longe. Os pequenos lagos antecedentes ao lago Inle, para quem vem da zona norte, têm paisagens muito bonitas sempre com montanhas de fundo, como que a delimitar as fotografias lindas com reflexos da água.
Após almoço simples mas com sumo de melancia muito bom decidimos pedalar mais um pouco e eu, bem, quero experimentar a massagem tradicional do Myanmar. A minha companhia acompanha-me na aventura! O local onde nos mexeram todos os cantinhos da pele e dos músculos (ou quase todos!) chama-se Lavender Spa & Beauty.
Encontram-se por aí também locais onde se pode ter uma aula de cozinha típica intha (da zona envolvente Inle).
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eu a pedalar, autoria Mary Silva

Hoje o passeio não vai prolongar-se muito mais já que os rabos já se ressentem e amanhã teremos nova madrugada: vamos amanhecer no lago!
Um sumo maravilhoso de papaia e banana no Trinity Family Inn, com oferta de feijões secos típicos da zona e uma internet bem boa, e é o momento do regresso ao hotel. O fim de tarde oferece-nos imagens lindas mais uma vez…
Amanhã não sei se teremos a coragem de fazer esta viagem de bicicleta novamente! A não ser que me montasse em cima duma almofada bem fofa no selim…!
Partilho aqui o link do blog de uma viajante portuguesa, o passeio dela pareceu-me interessante: Joland Blog.


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Mount Popa – Myanmar

E dizem que não, e dizem que sim, e nós vamos na mesma. O que dizem é se vale a pena ir ao Mount Popa ou não: há as duas opiniões. Pelo sim pelo não, é ir e tirar as dúvidas.

Pagámos 10.000 kyats para ir num táxi partilhado com mais umas 8 pessoas. Barato para uma manhã inteira de passeio. O percurso até ao Mount Popa dura mais ou menos uma hora.
Na ida foi mais longo porque parámos para apanhar os outros turistas noutros hotéis e porque ainda fizemos uma pequena escala para ver uma barraquinha onde vendiam não sei o quê, com uma vaca a rodar à volta do moinho para moer não sei o quê também. É que… Não quero ver aquilo que me mostram na verdade… Eu quero ver o que me apetece ver. E encontrei ao fundo por trás dos arbustos dois pastores a acompanhar os seus rebanhos de ovelhas e cabras. A minha companheira de viagem foi comigo fotografá-los. Foi uma linda sessão fotográfica entre palmeiras, pó, vegetação, os pastores a dizerem-nos mangalaba (olá na língua burma) e os bichinhos, correndo e parando para comer o que a terra lhes dá!
Entretanto, no caminho até ao monte vemos muitas casas feitas de verga e palha, pessoas a pé que nos dizem adeus.
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Mount Popa

Chegando ao Mount Popa, é uma civilização típica burma. A sujidade é permanente, há alguns maus cheiros quando passamos nas lojas e tendas de venda, o cheiro característico das folhas que mascam com tabaco. Mas aqui há macacos também. Comprei bananas e no regresso do pagoda fui abordada por um macaco que sentiu o cheiro das bananas na minha mochila. Tudo tranquilo, fiz-lhe cara de má e falei com ele, houve alguma resistência mas lá teve que desistir. (Na verdade o gajo assustou-me porque me puxou a mochila, mas eu controlei a situação com a ajuda de um turista francês!)

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Mount Popa

Quanto à subida dos 777 degraus até ao pagoda do Mount Popa, durou uma meia hora, descalças e com alguma sujidade no chão. Mas têm havido uns senhores a limpar as escadas e pedindo donativos para a limpeza. Graças a isso que não foi tão mau quanto nos haviam desenhado. Agora o pagoda lá em cima, também é estranho porque parece ter sido construído aos bocados. Mas a vista é muito bonita e é sempre interessante reparar que os burmas são realmente devotos e sobem as escadas para ir lá cima deixar ramos de flores aos budas que admiram. Deixam também umas notas de kyats, ficam ali amarrotadas entre os braços ou pernas dos budas nos templos.
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senhora leva flores para oferecer no Mount Popa

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sessão fotográfica aos três!

E bem, o Mount Popa é isto, eu considero que se deva lá ir na mesma, apesar dos pesares! O caminho até lá é bonito, para quem está a viajar pelo Myanmar de avião sabe bem ver alguma terra, ver o campo do país!

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nós no Mount Popa

 


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Benvindos a Bagan!

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plantações e templo em Bagan

Amanhecemos no ar e aterramos às 7.40h em Nyaung-U, localidade do aeroporto que nos levará a Bagan. São dez minutos de táxi até ao nosso hotel, Zfreeti. Em frente ao hotel já há uma barraquinha para aluguer de e-bikes. Vamos cuscar e fazemos logo negócio: 7000 kyats cada uma por um dia! A minha companheira de viagem nunca conduziu scooters e por isso faz um pequeno treino de 5 minutos; está apta, já podemos explorar!

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burma em Bagan

Teremos três noites de estadia em Bagan, foi o que os experientes nos sugeriram e na verdade talvez seja esse o tempo ideal para conhecer minimamente os tantos quilómetros de beleza arqueológica graças aos aproximadamente 2500 templos budistas antigos!

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templo e burmas em Bagan

Irei descrever o nosso roteiro pelos templos aqui neste post, porém não entrarei em pormenores de dias já que, na minha opinião, cada visitante deve fazer o seu pequeno plano de visita para Bagan. Não dá para seguir à risca os percursos de quem já cá passou porque a ideia mesmo é ir inventando ao longo dos caminhos e templos que vamos encontrando. Penso que o improviso deve estar presente também, soube-me pela vida ir virando tanto à esquerda como à direita, sem saber muito bem quais os templos que me esperavam!

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Shwe Zi Gone Pagoda em Bagan

O primeiro templo a ser visitado foi o Shwe Zi Gone Pagoda, é bonito mas inicialmente senti uma grande desilusão porque o comparei aos templos de Yangon: estes são antigos, Maricleta, não esperes grandes luxos! E entretanto, vou-me adaptando à nova beleza destes templos, construídos entre os séculos XI e XIII, vamos parando aqui e ali e o encanto vai aumentando.

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templos em Bagan

A cada dez metros de e-bike aparecem novos templos, novos cenários. É um espírito tão pacífico que nos invade, uma mística sem explicação. Imaginar a força que inspirou os construtores dos templos, a sua fé, dedicação, tudo junto com o silêncio dos pássaros e da e-bike, nada mais em alguns caminhos de areia, é realmente uma experiência única.
O nosso melhor nascer do sol do mundo pode muito provavelmente ser aqui em Bagan, içados num dos poucos templos onde se pode subir. Descobri várias dicas pela internet, sobre qual o melhor templo para ver o nascer do sol e qual o melhor para o pôr do sol. A grande questão aqui é se queremos ver essas maravilhas num templo calmo sem muitas pessoas, ou se não nos importamos de assistir com uma pequena multidão. Nós optámos por não nos importar com os outros curiosos, até porque de cada vez que tentámos encontrar algum templo alternativo apareceram burmas querendo levar-nos ao templo deles, a troco de dinheiro!
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anoitecer em Bagan, Phya Tha Da Pagoda

Para o pôr do sol escolhemos o Phya Tha Da e para o nascer foi o Shwe San Daw Pagoda. Ambos são acessíveis a autocarros, por isso têm mais multidão. De qualquer forma há sempre um bocadinho de espaço por onde podemos furar com a objectiva da câmara fotográfica para disparar o maior número de cliques das nossas vidas! Literalmente… É um espectáculo divinal, muito lindo mesmo… Os balões de ar quente que sobem à medida que o sol também sobe, embelezam tanto as fotografias… E se apanharmos um bando de pássaros ao mesmo tempo, melhor ainda! Quanto ao balão, os nossos dias de estadia já estavam esgotados, de qualquer forma já seria algo que eu poderia viver sem, pois além de um pouco caro (aproximadamente 300€) também considero ser menos natural… Um dia quem sabe, um dia mais tarde, em Bagan ou noutro canto qualquer do mundo; ou mesmo no nosso Alentejo, irei…

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amanhecer em Bagan, Shwe San Daw Pagoda

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amanhecer em Bagan, Shwe San Daw Pagoda

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amanhecer em Bagan, Shwe San Daw Pagoda

Há um outro templo que dá para subir e que gostei muito, é o Tayok Pyi. Está escondido e não sei bem mas muito provavelmente é um bom spot para o pôr do sol… Entretanto também tivémos a experiência de jogar cane ball com três burmas que nos convidaram a jogar. A minha companheira de viagem já havia encontrado essa informação na internet e tivemos a sorte enorme de sermos convidadas ali pelo meio dos templos.

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templos em Bagan, Tayok Pyi

Para finalizar esta linda odisseia pelos templos de Bagan na e-bike, passámos pelo mercado da Old Bagan, bonito (não esquecer que tudo o que tem pessoas neste país inclui lixo, muito muito lixo). Comprei chá verde burma. Veremos como será bebê-lo lá no meu mundo ocidental, numa noite fria e estrelada!
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menina procurando-nos para vender postais


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Sul de Yangon

Novo dia, novo roteiro: hoje descemos a pé até próximo da entrada Este do Shwedagon Pagoda, apreciamos os muitos vendedores de rua, os táxis bicicleta, os alimentos que vendem… os cheiros… Maus cheiros na sua maioria. É que há uma fragrância qualquer que usam que nos alivia por um segundo que seja, dos maus cheiros. Para não falar do incenso maravilhoso que abunda nos templos, esse sim, limpa-nos o olfato!

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templo próximo do Shwedagon Pagoda

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templo próximo do Shwedagon Pagoda

E claro, ainda antes de apanharmos o táxi entrámos num templo. Tão lindo, é difícil de descrever estes espaços, só vendo e sentindo realmente.

Hoje vamos à zona sul de Yangon, começamos pelo Botahtaung Pagoda. Aqui podemos entrar no templo central, é um pequeno labirinto de paredes douradas. Os crentes rezam no chão, aos cantos dessas paredes de ouro. Por fora deste templo central há um outro bonito, onde um senhor birmanês nos sugeriu com simpatia para lermos o único cartaz informativo em inglês. Basicamente esse texto fala da figura de um buda, feita em ouro, bronze e prata, que havia sido levada para a Inglaterra mas que, depois da independência da Birmânia, em 1948 se não estou em erro, foi devolvida ao país.

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Botahtaung Pagoda

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Botahtaung Pagoda

Ah, agora aqui parou tudo!!! Experimentámos uma carrinha que transporta pessoas, é tipo as Van no Rio de Janeiro. Custa apenas 100 kyats por pessoa e levou-nos para perto do Sule Pagoda. Adorei esta experiência, graças à minha companheira de viagem! Ao lado deste Sule Pagoda está a câmara da cidade, um edifício muito bonito dos tempos coloniais.

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rua em Yangon

Vamos mas é almoçar que já vão sendo horas! Encontrámos o 999, restaurante pequeno mas com muita simpatia. Comi uma massa vegetariana de noodles, com pauzinhos, acompanhada de chá preto oferecido. Adorei a massa…

O próximo destino é o mercado Bogyoke Aung San. Muito grande e com imensas coisas bonitas de artesanato. E baratas, mais ainda se as negociarmos. Aqui ao lado vê-se a linha de comboio e por isso acordamos que iremos espreitar a estação de comboios de Yangon. Na caminhada até à estação encontramos uma senhora que vende o protector solar que os burmas usam, principalmente as meninas e mulheres! É hoje que experimentamos a sensação de andarmos mais parecidas com elas: pedimos à senhora que nos pinte… É um pó proveniente da casca duma árvore e misturado com água protege a nossa cara do sol, chama-se Thanakha. Entretanto, ainda nos fotografámos com uma menina pintada em desenhos com esse pó!

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caminhos de ferro – Yangon

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pinturas de protector solar!

O edifício da estação de comboios é colonial também, apesar de já um pouco degradado continua a ser bonito.

São 15.30h, está na hora de irmos descansar um pouco ao hotel pois às 18h iremos ver um espectáculo de bonecas marionetas, típico do Myanmar. Foi uma grande aventura chegar à morada certa, estivemos perdidas em Yangon por bons momentos! Mas conseguimos, e outras duas espectadoras chegaram atrasadas 40 minutos tal como nós. Vale a pena ver um “Puppet Show” só para que acrescentemos alguma cultura artística burma à nossa viagem. Aqui está o link do senhor que organiza estes espectáculos, muito simpático por sinal: Htweoo Myanmar. Apenas cinco famílias ainda praticam esta tradição, em Yangon. Fora desta cidade acredito que haja mais, talvez em Mandalay e por aí!

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Puppet Show

Fim do dia e amanhã pela fresca voamos até Bagan, a terra dos templos antigos!


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Pagodas em Yangon

Despertar às 7.30h, pequeno almoço, vestir roupa prática e fresca mas que nos tape os joelhos e um pouco dos ombros, mala com alguma água e kyats… Óculos de sol e boné, estamos prontas para começar pelo melhor: Shwedagon Pagoda.

entrada Norte do Shwedagon Pagoda

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entrada norte do Shwedagon Pagoda

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senhor a rezar

A partir do nosso hotel são uns quinze minutos a pé no máximo, estamos mesmo aqui ao lado deste lugar tão sagrado e tão calmante. Pelo caminho há um mosteiro budista, sendo que ainda nos cruzamos com monges na rua. À entrada do Shwedagon começa a nova experiência do andar descalço: despe-te dessas coisas sujas que te levam a todo lado sem que sintas o chão na tua pele! Escadas com muitos quiosques de vendas, vendem muitas coisas, tantas que até tenho preguiça de as escrever. Mas as fotos hão-de mostrar alguma coisa já…

Fomos caminhar pelas periferias do templo central, o que nos fez perceber um pouco mais o estilo de vida dos burmas que vivem aqui e observar quem rezasse em frente a pequenos altares. Não resisti a ir experimentar meditar em frente a um buda também. Soube-me pela vida! E os cheiros a incenso, flores e frangâncias fazem muita diferença: o odor inspira, é uma sensação que aconselho vivamente. Apesar de já sermos turistas e de isso nos diferenciar dos locais na entrada dos pagodas (pagámos 8000 kyats no Shwedagon Pagoda e 6000 kyats no Botahtaung Pagoda), um crente ainda teve a curiosidade de me fotografar enquanto eu meditava e aqui senti-me misturada com eles. Também os quero fotografar, claro! Ainda por cima sorriem e não se importam nada de aparecer em fotografias.

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saturday corner – Shwedagon Pagoda

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Shwedagon Pagoda

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Shwedagon Pagoda

Depois desta bela e dourada visita seguimos até ao restaurante Hot Pot 101, com comida típica birmanesa mas que deu para adaptar um pouco: comi algas japonesas e brócolos salteados divinais, seguidos de um arroz com ovo e alguns vegetais. O sumo de melancia estava óptimo também.
Aqui agora, o que nos espera é uma boa caminhada pela grande estrada Shwe Gone Daing Road. Vamos parando onde encontramos sinais de templos. O Ngar Htat Gyee Pagoda é simplesmente uma maravilha no planeta Terra. Foi uma descoberta tão surpreendente quanto relaxante, com a imponência do enorme buda central, calma, paz, beleza, cor, enfim. Quase adormecíamos sentadas na alcatifa onde os locais costumam rezar. Ficava ali umas boas horas se o tempo o permitisse.

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Ngar Htat Gyee Pagoda

E claro, depois de uma surpresa tão linda no Ngar Htat Gyee Pagoda, o Chauk Htat Gyee Pagoda não nos convenceu: uma buda deitada, enorme também, mas talvez pelo pavilhão que a envolve, a nossa observação não consegue ser tão clara, há menos encanto aqui. Até porque já se encontram autocarros de turistas aqui e um monge abordou-nos querendo mostrar-nos a sala de meditação que há ali ao lado, a troco de dinheiro claro… Avancemos.
O próximo destino será o parque Kandawgyi. Decidimos negociar um preço com um táxi, com alguma forretice e sorrisos lá vamos conseguindo uns preços… A entrada do parque custa 300 kyats e o passeio é engraçado, sem esquecer que o edifício do Karawaik Palace restaurante dá umas fotografias giras com o seu reflexo na água. Há alguns espaços de restauração interessantes para beber algo ou almoçar até.

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Chauk Htat Gyee Pagoda

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não sei ler língua burma!

E bem, o cansaço das pernas já é algum, vamos ao hotel dormir uma sesta! Novamente o táxi, desta vez percebemos que muitos taxistas não percebem inglês nenhum, nem percebem o mapa que lhes mostramos. À quinta tentativa talvez, com persistência da minha companhia de viagem, lá conseguimos boleia até próximo do Shwedagon Pagoda. A partir daqui já me é fácil chegar ao hotel.
Sesta merecida e um jantar suave na pizzaria Parami; uma pausa no Vista Bar para um ginger ale natural, conversa e deleite com a vista do Shwedagon Pagoda, estamos prontas para dormir!

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parque Kandawgyi

Nota: optei por escrever pagoda e não pagode, que segundo pesquisei, é o nome correcto em português. Escolhi manter o pagoda pois é essa a palavra que todos usam e assim se torna mais fácil comunicar no Myanmar, caso precisemos de indicações!